Os munícipes de Mbanza Congo, província do Zaire, estão com as atenções viradas para a República da Polónia, onde entre os dias 02 e 12 de Julho do ano em curso, será decidida a inclusão, desta cidade, antiga capital do Reino do Kongo, na lista do Património Mundial da Unesco.
Para este encontro do Comité do Património Mundial, que decorre na cidade de Cracóvia e reune representantes dos países membros da Unesco, seguiu uma comitiva do Ministério da Cultura chefiada pela sua titular, Carolina Cerqueira, integrando também o governador do Zaire, José Joanes André e o chefe das autoridades tradicionais do Lumbu (corte real Kongo), Afonso Mendes.
Interpelados pela Angop, o munícipe, Ditutala Afonso, funcionário público, disse estar convicto de que os membros do Comité do Património Mundial poderão avaliar e decidir favoravelmente para a elevação de Mbanza Congo a Património Mundial, dado o valor excepcional do seu património.
“Penso que com o trabalho de pesquisa e recolha de dados históricos, material geológico e outros estudos efectuados desde 2007, quando se lançou o projecto de inscrição de Mbanza Congo, o Comité do Património Mundial está em condições de incluir este sítio na lista da UNESCO”, sublinhou.
Na opinião do estudante universitário, Luzolo António, a República de Angola, através do seu Ministério da Cultura, apresentou elementos mais do que suficientes, que provam a importância de Mbanza Congo no contexto de África e do Mundo.
Fundamentou que, em matéria de património imaterial, a influência da cultura do antigo Reino do Kongo atravessou fronteiras com o tráfico negreiro para às Américas e Europa.
Destacou, por outro lado, a vocação diplomática dos antigos soberanos do Kongo, sua estrutura organizacional e seu génio criador, cujo Reino já fabricava instrumentos de trabalho, para a caça e auto-defesa, aliada à criação da moeda (Nzimbu) que facilitava as trocas comerciais.
Por sua vez, Amélia Sofia, também universitária, considera que o encontro na Polónia trará boas surpresas para Angola e à província, frisando que o país foi granjeando, ao longo de uma intensa cruzada diplomática dos últimos meses, um enorme apoio de países amigos membros da UNESCO que poderão votar favoravelmente no projecto Mbanza Congo.
No dizer de, Simão Mantala, autoridade tradicional, a localidade contribuiu mais para a civilização do mundo do que muitos outros locais e sítios já reconhecidos pela Unesco. “ Modéstia à parte, existem sítios que foram já reconhecidos pela UNESCO a nível do mundo e são menos importantes que Mbanza Congo”, sustentou, para quem a demora para o reconhecimento desta localidade histórica deveu-se, em grande medida, pelo prolongamento do conflito armado que dilacerou o país.