A captura de pescado na província de Benguela baixou, nos primeiros nove meses do ano, para 46 mil toneladas, comparativamente a igual período de 2017 em que se registou 80 mil toneladas.
A diminuição da captura foi influenciada por factores ambientais, como o baixo grau de oxigénio nas águas da região.
Esta informação foi avançada recentemente, à Angop, em Benguela, pelo director do Gabinete provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José da Silva, tendo destacado que se regista uma tendência de quebra de produtividade, no presente ano, na ordem dos 25 por cento.
Segundo o responsável, o fenómeno “El Ninho” é o grande causador do decréscimo nas capturas.
José da Silva disse, que as espécies pelágicas como o carapau (de maior consumo das famílias) são as que mais escasseam, o que eleva os níveis de procura por parte dos consumidores.
Quanto à produção de peixe seco, aquele responsável afirmou que, apesar deste ser apenas proveniente da pesca artesanal, a produção local já atingiu as oito mil toneladas/ano, três mil toneladas das quais serviram para exportação no ano transacto, o que revela bom sinal.
Lamentou que os homens de negócio não estejam ainda a aproveitar a linha dos caminhos-de-ferro de Benguela para levar a produção piscatória às fronteiras vizinhas, mas disse esperar que os mesmos aproveitem essa facilidade nos próximos tempos.
Tendo em conta a procura do peixe sardinha para o consumo das famílias locais, disse estar relegada para segundo plano a produção de farinha e óleo de peixe para exportação.
Em relação ao carapau, informou que está proibida a produção de farinha e óleo de peixe, com base naquele pelágico, em função da realidade do país que ainda vive um considerável défice nesta espécie marinha.
Informou que a província encontra-se numa fase embrionária no que toca à prática da aquicultura, onde se destacam investimentos na fazenda Utalala, na barragem do Dungo, e na comuna da Canjala.

Mais infra-estruturas
O director adiantou que, apesar dessa tendência de baixa produção, o sector piscatório continua a crescer em termos de infra-estruturas em terra, dispondo hoje de uma capacidade de congelação de 1.200 toneladas e outras 10 mil toneladas de conservação/dia, quando anteriormente a capacidade instalada permitia receber apenas 450 toneladas de peixe congelado.
Entretanto, o director explicou que apesar dos constrangimentos na produção de pescado para consumo humano, o município da Baía Farta, que representa o maior centro piscatório da província, obteve uma produção de 149,07 toneladas de farinha de peixe e 36,7 quilolitros de óleo de peixe.
Disse haver igualmente uma redução do volume das exportações dos derivados, indicando que em 2017 a província de Benguela exportou para a China, Vietname, Nigéria, Costa do Marfim, Zâmbia e os dois Congo (Brazzaville e RDC) três mil toneladas de peixe congelado, 1.400 toneladas de farinha de peixe e 660 quilolitros de óleo de peixe.
Para o mercado da União Europeia, segundo ainda o gestor do sector das pescas, foram canalizados no ano transacto 687 toneladas de marisco.
Relativamente à produção de sal, o responsável referiu que se regista a recuperação de algumas salinas e a construção de outras, permitindo que se atingisse até ao momento 58 mil toneladas, de uma meta de 70 mil até Dezembro.