Uma equipa de arqueólogos da universidade australiana de Griffith, em Brisbane, Austrália, descobriu uma pintura rupestre numa gruta da Indonésia com pelo menos 44 mil anos. Os desenhos descobertos na Ilha Celebes em 2017 são a obra de arte mais antiga até à data, ultrapassando por 4 mil anos a escultura encontrada numa gruta no sul da Alemanha em 1939.
Com cerca de 4,5 metros de largura e 20 de altura, a obra de arte monocromática retrata seis mamíferos em fuga (dois porcos de Sulawesi e quatro búfalos anões), animais que ainda habitam as zonas florestais da ilha. Os animais estão a ser perseguidos por oito figuras humanas, com algumas características de animais (Teriantropos, nome dado pelos cientistas), que aparentam estar armados de lanças. Foi descoberta por um habitante local, que coopera com os autores do estudo, quando subia uma árvore para investigar a gruta situada na região de Maros
Pangkep, no sul de Celebes.
Apesar de a arte em rochas ser difícil de datar, os cientistas determinaram a idade através do método de datação por urânio, os testes deram um resultado de uma idade mínima de 43.900 anos.
O estudo publicado na revista científica Nature promete dar uma nova perspectiva sobre a possível origem das pinturas figurativas. “Esta descoberta é muito importante porque se pensava que as primeiras pinturas figurativas surgiram imediatamente após a chegada dos humanos modernos à Europa, talvez à cerca de 40 mil anos, mas este resultado mostra que elas têm origem fora da Europa”, disse Alistair Pike, arqueólogo na Universidade de Southampton, em Inglaterra, ao jornal
americano New York Times.