A obra poética “Rosa de fogo - erótica africana e evangelho”, de Ibinda Kayambu, pseudónimo literário do poeta e crítico Hélder Simbad, de 30 anos, mereceu esta semana o Prémio Literário António Jacinto 2017.
Em declarações ao JE, Hélder Simbad, que é licenciado em Línguas e Administração pela Universidade Católica de Angola (UCAN), professor de Língua Portuguesa e Literatura Africana do II Ciclo, revelou que se sente como vencedor.
“Feliz por mim, e pelo Litteragris, o grupo de que faço parte”, disse, numa referência ao movimento literário, sediado em Viana, e de que é o coordenador-geral.
O poeta, que já foi recentemente distinguido no Brasil, no concurso internacional de poesias, crónicas e contos, intitulado “A palavra no século XXI”, uma iniciativa da Academia Internacional de Artes, Letras e Ciências do Rio Grande do Sul, no Brasil, explicou mais adiante que o Prémio Literário António Jacinto 2017 vem legitimar o trabalho que tem sido desenvolvido pelo Litteragris.
“Espero que abra outras portas para efectivação dos nossos projectos que se constituirão indubitavelmente como uma mais-valia para a sociedade”, disse.
Com efeito, o júri presidido por Óscar Guimarães e integrado pelos escritores Albino Carlos e Isaquiel Cori justificam que a obra vencedora revela uma forte cultura literária e que se insere na melhor tradição da poesia angolana e utiliza com propriedade o encadeamento de conceitos que permitem uma análise perfeita do conteúdo de cada poema.
É essa cultura literária do jovem poeta e crítico que já lhe tem valido algumas propostas editoriais, segundo soube o JE.
“O meu percurso literário até aqui tem atraído algumas individualidades, por isso, em termos de publicação, não terei problemas. Tenho duas obras em editoras diferentes: uma em Portugal e outra aqui no país”, disse, orgulhoso.
Muito para lá do título obra premiada “Rosa de fogo - erótica africana e evangelho”, o erotismo está sempre presente nos poemas de Helder Simbad, questionado se não receia que seja rotulado como poeta do erotismo, explica que, dentro da literatura, procura cultivar vários aspectos, e que o erotismo é apenas um deles. “A obra nasce duma pesquisa no âmbito dos estudos literários.
Escrevia um ensaio sobre poesia tradicional e decidi escrever uma obra poética que me levasse a revisitar o passado e a imaginar cenários de acasalamento na selva”, explica o autor, que, depois de publicar a obra vencedora, prevê apresentar “Insurreição dos signos”,
uma obra com outra temática.
O Prémio Literário António Jacinto dá direito a um cheque no valor de 850 mil kwanzas, do Banco de Poupança e Crédito (BPC), instituição patrocinadora desta distinção criada em 1993, em homenagem ao escritor angolano António Jacinto, falecido a 23 de Junho de 1991.