Amúsica reggae jamaicana foi inscrita, ontem quinta-feira, na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, por uma comissão especializada da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), pela sua contribuição para a consciência internacional sobre questões de injustiça e amor.
A UNESCO destacou “a contribuição” desta música para a consciência internacional “sobre questões de injustiça, resistência, amor e humanidade”, graças a artistas como Bob Marley, de acordo com um comunicado divulgado após a reunião em Port-Louis, capital das Ilhas Maurícias.
O reggae “preserva toda uma série de funções sociais básicas da música – sujeita a opiniões sociais, práticas catárticas e tradições religiosas – e continua a ser um meio de expressão cultural para a população jamaicana como um todo”, sublinhou.
A organização da ONU lembrou que o género musical surgiu de um “amálgama de antigos ritmos musicais jamaicanos e outros de origens muito diferentes: Caraíbas, América Latina e América do Norte”. Em todos os níveis do sistema educacional do país, “o ensino desta música está presente, de creches a universidades”, acrescentou o comunicado.
Nascido no final dos anos 1960, o reggae ficou assim denominado depois da primeira canção popular do género utilizar o termo — “Do The Reggay”, canção do grupo jamaicano Toots and the Maytals. Inspirado por géneros tão distintos como o rhythm and blues, o ska, o jazz e a soul, o reggae distinguiu-se desses géneros musicais provenientes de outras latitudes pela apropriação de ritmos regionais (nomeadamente do memento, espécie de folk dançante e espiritual, e da música calypso, oriunda da Trindade e Tobago) e pela pronúncia das palavras, que o tornaram inconfundível.
Com um som muito próprio, que resultou da importância das percussões e do baixo na génese rítmica das canções, o reggae teve indiscutivelmente em Bob Marley e na sua banda The Wailers os maiores embaixadores internacionais, durante os anos 1960 e sobretudo nos anos 1970.