O RMS Titanic pode ter-se afundado devido a um enorme incêndio, e não propriamente por uma colisão com um icebergue. É o que revela a investigação de um jornalista a imagens inéditas do navio que afundou a 15 de Abril de 1912, no Oceano Atlântico, entre Southampton e Nova Iorque, onde mais de 1500 dos 2500 passageiros a bordo morreram.
Senan Molony, jornalista que passou mais de 30 anos a investigar o afundamento do Titanic e cujo trabalho inspirou o documentário Titanic: The New Evidence (Titanic: As Novas Provas), estudou fotografias do navio antes de ter abandonado Belfast, onde foi construído. Encontrou marcas de um fogo ocorrido antes de o transatlântico ter saído da Irlanda do Norte.
“Analisámos a área exacta onde o icebergue bateu, e parece que encontrámos uma fraqueza ou estrago no casco naquele local específico, até antes de ter deixado Belfast”, explicou o jornalista e escritor irlandês ao jornal The Independent. O incêndio começou no armazenamento de combustível atrás de uma das salas das caldeiras do navio e avrou durante três semanas.
“O inquérito ao Titanic considerou o afundamento como um acto de Deus. Esta não é uma história simples de colidir com um icebergue e afundar-se. É uma tempestade perfeita de factores extraordinários a juntarem-se: fogo, gelo e crime de negligência”, critica Molony. “Ninguém investigou estas marcas antes. Muda completamente a narrativa. Nós temos peritos em metalurgias que nos disseram que quando se chega aquele nível de temperatura contra o aço, enfraquece-o, e reduz-lhe a força em 75%”, avisa.
O RMS Titanic foi um navio de passageiros britânico operado pela White Star Line e construído pelos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast. Foi a segunda embarcação da Classe Olympic de transatlânticos depois do RMS Olympic e seguido pelo HMHS Britannic. Projectado pelos engenheiros navais Alexander Carlisle e Thomas Andrews, a sua construção começou em Março de 1909 e foi lançado ao mar em Maio de 1911. O Titanic foi pensado para ser o navio mais luxuoso e mais seguro da sua época, gerando lendas que era supostamente “inafundável”.
A embarcação partiu na sua viagem inaugural de Southampton para Nova Iorque em 10 de Abril de 1912, no caminho passando em Cherbourg-Octeville na França e por Queenstown na Irlanda. Ele colidiu com um iceberg às 23h40 do dia 14 de Abril e se afundou na madrugada do dia seguinte com mais de mil e 500 pessoas a bordo, sendo um dos maiores desastres marítimos em tempos de paz de toda a história.