A última edição do “ Globos de Ouro Angola” distinguiu o escritor, poeta, ensaísta e crítico literário Manuel Rui Alves Monteiro como Ícone Nacional.

O também autor de uma das mais conhecidas e internacionalizadas obras literárias angolanas “ Quem me dera Ser Onda”, nasceu na província do Huambo no ano de 1941. Licenciado em direito pela Universidade de Coimbra ( Portugal), Rui Monteiro desde cedo demonstrou veia poética, o que lhe valeu o ingresso como membro da redacção da revista “Vértice” e da direcção da Centelha Editora, onde publicou “A Onda” em 1973. De regresso à terra natal em 1974, ocupou diversos cargos políticos, tendo sido Ministro da Informação do Governo de Transição. Foi igualmente o primeiro representante de Angola na Organização da Unidade Africana e nas Nações Unidas.
Membro fundador da União dos Artistas e Compositores Angolanos, União dos Escritores Angolanos e da Sociedade de Autores Angolanos, Manuel Rui assina a autoria do Hino Nacional, musicado por Rui Mingas.
Segundo a “ Fillas Produções” em “ Vida e Obra de Manuel Rui Alves Monteiro” , Manuel Rui é das vozes que através da literatura, tenta contribuir para a afirmação de uma cultura de raiz verdadeiramente angolana. A sua obra assenta, sobretudo, no uso de expressões e vocábulos surgidos da dinâmica da guerra. É uma literatura marcada pelos anos de luta armada, de reivindicação por uma independência, por uma voz própria. Marca a sua obra um português mesclado com expressões e vocábulos típicos, regionais e nacionais que imprimem à esta “nova” literatura, uma dinâmica muito própria, que traz a esta nação a expressão colectiva do povo que pretende assim, afirmar uma identidade própria.
De destacar que o escritor é autor da primeira obra angolana de literatura infantil “ A Caixa” publicada no ano de 1977.