No âmbito da viagem pelos bairros de Luanda, “O meu bairro” desta semana vai até Capalanga. Situado no município de Viana, que dista 18 quilómetros a Nordeste da capital do país. O bairro deve o nome a um senhor já falecido que no passado garantia os momentos de lazer dos moradores.
Para quem não conhece Capalanga, este fica localizado no lado oposto da vila de Viana entre o bairro da Caop e o quilómetro 44. Outrora, Capalanga era uma região de lavoura, agora é do comércio que vive e nos últimos tempos está a transformar-se numa possante zona industrial, com várias fábricas instaladas e muitas outras se preparam para lhes seguir o exemplo.
O bairro Capalanga comporta na sua alma um passado, presente e futuro e abrange o que se desconhece, bem como o que ficou apagado na memória da sua gente. Sem prédios, com excepção dos três construídos pela antiga seguradora AAA, que fica perto da auto-estrada, o bairro continua em ascensão. Há mais um prédio que por sinal é o único hotel de três estrelas que existe nas redondezas, que chama àquela localidade turistas
e homens que amam o lazer.

Comércio intenso
A rua mais “famosa” é a da univerdade Jean Piaget, por sinal a única universidade do bairro , que saí da estrada de Catete e corta o bairro em duas partes. Logo no início é possível vislumbrar a passagem de nível do caminho-de-Ferro de Luanda, que liga a capital às províncias do Cuanza Norte e Malanje. É uma rua longa de casas baixas, ladeada de uma intercalação de casas habitacionais e outras comerciais. As lojas na sua maioria são de bens alimentares e materiais de construção civil, mas há também as de peças e lubrificantes de automóveis.
Um verdadeiro comércio intenso.
Na mesma rua também encontramos um posto de abastecimento de combustível e uma lavandaria denominada “Kiazele”, que por sinal está aí há pouco tempo. Mais para o meio da rua há o famoso largo das roulottes. É aí que a juventude recorre quando pretende arrastar a noite, ouvindo música ou para deliciar um churrasco, outras iguarias e aperitivos.
O Capalanga ainda não dispõe de shoppings, grandes discotecas e bibliotecas para enriquecer a mente da juventude ou jardins perfeitos para fazer um piquenique, ler um livro no fim da tarde, enfim, curtir a natureza e o seu verde, mas podem facilmente chegar ao Kero de Viana, que fica do outro lado da margem direita da também conhecida avenida Deolinda Rodrigues.

Serviços visíveis
O bairro conta também com presença do Banco de Fomento Angola (BFA), de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Sol, além de escolas, creches e tem igualmente o Porto Seco, que dá suporte ao grande porto de Luanda para descongestionamento das mercadorias importadas
que chegam ao país.
Capalanga pode ser considerado uma zona pobre, onde o saneamento básico é precário e, apesar da energia ser regular, não tem água canalizada, mas é um bairro de pessoas felizes que mantêm os segredos e as tradições de uma comunidade que vive em família.

Sonho da tranquilidade
A vida dos moradores locais é perturbada por fenómenos sociais, como a venda e consumo de droga, a delinquência, pobreza e a revolta, que em nada dignificam o bom nome do bairro, mas também há trabalho, sorriso e sonho de gente bonita que sabe estar. Enquanto muitos jovens alimentam o sonho de se tornarem estrelas do kuduro, os mais velhos só pedem sossêgo e tranquilidade permanente.
Por exemplo, António Lucas de 52 anos, morador do bairro desde 1985, diz se lembrar que Capalanga é o nome de um senhor muito famoso que na altura destilava “capuca” em sua casa e era o local que a juventude passava o seu tempo.
Hoje, vivendo com a esposa e sete filhos, António Lucas recorda que na altura o bairro era terra de militares e camponeses. “Isso mudou muito. Antes aqui era só mata, pois as pessoas tinham as suas lavras e andavam à vontade, agora não conseguimos sair de noite por causa da delinquência”, admite.
Já Manuela da Silva, de 55 anos, fala do bairro com melancolia e lamenta a falta de saneamento básico e de água canalizada. “É muito triste viver assim”, lamenta a empregada doméstica, mas sempre com um sorriso no rosto. Moradora do bairro há mais de 30 anos, ela traz para casa apenas 35 mil kwanzas por mês, como resultado da sua actividade laboral. Mesmo com as condições que o local apresenta, afirma que não pretende sair
do bairro que tanto preza.
No que toca à saúde, o bairro Capalanga tem vários centros médicos para atender a demanda da população, mas o maior e o mais conhecido é o hospital municipal, baptizado com o mesmo nome, que atende mais de 500 pacientes por dia, oriundos de vários pontos do município e não só. Os moradores daquele bairro sonham com um Capalanga mais urbanizado.