Até final do dia de terça-feira, o mercado cambial (compra e venda de moeda externa) estava expectante. Era o primeiro dia de um “hipotético” novo marco na banca. Era o dia do primeiro leilão no formato definido pelo governo de José Massano à frente do Banco Nacional de Angola (BNA).

No princípio de quarta já tudo parecia normal. O banco central vendeu no dia anterior 83,6 milhões de euros à banca e fê-lo num câmbio de 220,160 kwanzas por cada euro, contra os anteriores 186. Para o dólar, embora não seja neste momento moeda de comércio oficial, fixou-se em 184,528 kwanzas por cada dólar dos Estados Unidos da America.
E para que se saiba, as escondidas os “kinguilas” - homens e mulheres - ainda têm dólares e não poucos euros à venda. Para estes o câmbio manteve-se, são 430 kwanzas por cada euro e ou dólar, a pesar de o dólar estar mais raro e menos acessívelw.
Bem em frente às instalações do Jornal de Angola, apesar de estarem do outro lado, as senhoras que comercializam tinteiros ou tonner para impressoras com um jeito podem dar-te uns dólares ou euros. Há menos quantidades, aliás “Zezinha”, como disse querer ser chamada aqui, desconfia de cada cliente e diz que o problema da escassez está nas fontes que têm menos divisas também.
Ao balcão do Banco de Comércio e Indústria (BCI) que contactos ouviu-se o recado: Há poucas divisas. Talvez com sorte consigas. Reúna os documentos, que inclui bilhete de passagem para o exterior e carta a solicitar.
Já no Millennium Atlântico (BMA), o mesmo conselho do ano passado: Não vale a pena. Há ainda muita gente em espera e não estamos a receber novos pedidos.
Então, mudou-se a banda cambial, mas os problemas persistem, tudo porque há menos divisa e os informais ainda dão mais
“kumbu por cada euro ou dólar.
No comunicado que publica na sua página de internet, o BNA faz saber que deu início ao processo de formação da taxa de câmbio, dentro do regime de câmbio flutuante com bandas, com a participação das Instituições Financeiras Bancárias (Bancos Comerciais); e para o efeito, colocou à venda o montante de 83,6 milhões de euros (equivalentes a 100 milhões de dólares), o qual foi integralmente absorvido, tendo sido apurada uma taxa média ponderada de venda de AOA 221,26 por EURO (duzentos e vinte e um kwanzas e vinte e seis cêntimos por euro), passando a vigorar a tabela de câmbios que anexou.
• 50% - Matéria-prima, peças e equipamentos fabril;
• 20% - Seguros, telecomunicações, transportes aéreos e outros serviços;
• 17% - Agricultura, agropecuária, pescas e mar;
• 10% - Artigos de higiene, limpeza, material escolar e de escritório;
• 3% - Vestuário, calçado, artigos e utensílios domésticos.
O BNA aproveitou informar ao público, que no dia 08.01.2018, procedeu ao ajuste da sua tabela de câmbios de referência, de modo a que esta tenha como base a cotação Kwanza/Euro, sendo as outras cotações apuradas em função da taxa de câmbio do Euro/outras moedas, conforme
publicado pela Reuters.