Numa ronda feita para saber sobre o impacto da constante depreciação dos preços dos produtos da cesta básica, foi possível verificar que tal facto está a influenciar o bolso das populações. A rubrica “Voz do Cidadão” foi à rua ouvir opiniões possíveis à saída das lojas, supermercados e até em mercados informais. O estudante universitário do curso de Economia da Universidade Lusíada de Angola, Edivaldo Diogo, disse que os preços preocupam a toda gente, e deve haver maior fiscalização dos órgãos vocacionados para o efeito. Já a funcionária pública Clarice Barros, é injusto o que acontece no país, sobretudo na vertente da especulação dos produtos da cesta básica, pior ainda nessa fase da quadra festiva, pois os salários não são actualizados faz tempo. Ela questiona o papel do Inadec . Na sua opinião, o Executivo tem que intensificar as políticas para que o país deixe de importar produtos, concentrando-se na produção local. Por sua vez, Dumilde Bunga, estudante universitário, criticou o desequilíbrio de preços que existe entre os supermercados da capital, chamando atenção ao Inadec, a fim de reforçar a fiscalização em alguns estabelecimentos comerciais.Novembro e Dezembro são meses do ano em que se gasta muito na aquisção de produtos da cesta básica, tendo registado um considerável aumento nos mercados, alguns dos quais na ordem de 50 por cento. A subida dos preços já é uma situação habitual nos mercados formais e informais, nessa altura do ano. Gracieth Neto é estudante de comunicação e diz que é preciso que haja colaboração por parte das autoridades. Diz que no início deste mês, tudo se fez para travar a onda de especulação dos preços. Nesta altura, a fiscalização tem de trabalhar mais do que o habitual para que não haja aumentos excessivos nos produtos alimentares. Helton Sousa Santiago da Costa, estudante universitário do curso de Economia, afirma que os altos níveis de inflação é resultado da forte dependência de produtos importados, na medida em que são adquiridos com moeda estrangeira. Logo, deve-se promover a produção nacional para reduzir a dependência externa. No seu entender, muitas instituições têm especulado os preços dos bens, devido à época de muita procura que se aproxima. “Se não temos opções viáveis, a solução será reprimir as instituições que agem de tal forma por via do reforço da fiscalização. “Vejamos: dois quilos (2 kg) de bacalhau custam kz 21.000 ?”. A situação está realmente caótica”, desabafou. O professor do Instituto de Gestão do Kikolo, Altino da Silva, diz que, atendendo a situação de recessão que o país está a atravessar, o preço dos produtos de primeira necessidade estão cada vez mais altos, fruto da especulação de alguns empresários face à implementação do Imposto do Valor Acrescentado (IVA), apesar de ser uma fase em que o preço dos produtos tendem a disparar no mercado paralelo devido à azáfama da quadra festiva. Constata-se tanto no paralelo como nas grandes superfícies comerciais a subida exagerada dos preços nos produtos. Aldenir de Almeida, estudante universitário do curso de Economia, afirmou que a inflação de Dezembro já era esperada, pois é a fase em que as famílias têm mais dinheiro, então sabendo da situação os comerciantes aproveitam-se e sobem os preços dos produtos, incluindo os da cesta básica, e sobretudo os típicos da época natalícia. O Governo através do Ministério do Comércio devem unir-se para combater tais práticas. Elier Ferreira, estudante Economia, corrobora que os meses das festas são de inflação. Disse que a inflação e Dezembro são quase “irmãos”, então cabe aos agentes capacitados inspeccionarem melhor a subida dos preços nas superfícies comerciais. Belmiro dos Santos é jurista. Diz que no que toca aos preços dos produtos da cesta básica, a população encontra sérias dificuldades, visto que depende de produtos na sua maioria importados, assim como a desvalorização do kwanza, sem falar dos salários que foi corroído pela inflação. Nesta fase, o cidadão perdeu o poder de compra e fica impossibilitado de ter uma quadra festiva agradável. “Notamos que o alimento típico para o Natal já não é confeccionado por muitas famílias, tudo porque o bacalhau está num preço elevadíssimo, finalizou.