Debaixo de sol ardente KankundaMikanda André redobra os esforços para manter o negócio de pé. O artesanato é o seu forte desde pequeno. Manusea o material com uma mestria invulgar. De longe, nunca pensou que seria o seu ganha-pão na vida.
Aprendeu a manusear a arte algures na sua terra natal Uíge. Seu tio foi o mentor para o aprendizado. Naquela altura servia de ocupação para escapar de más companhias.
Ainda adolescente migrou para Luanda, onde trabalhou numa unidade hoteleira. Estava dado o “tiro de largada”, para ser um “barman”, o sonho esbarrou. Um aparente mau ambiente laboral deixa o jovem fora do grupo. O emprego já era, havia que pensar nas alternativas para o sustento da vida.
Não faltaram oportunidades para galgar novos caminhos, decididamente e insatisfeito o pensamento era trabalhar por conta própria. É dali que começa aplicar a arte aprendida.
Monta uma pequena unidade virada ao fabrico de cestos, cadeiras, mesas, bases para montar flores. Assim começa a caminhada a só, e ganhar dinheiro por conta própria.
O sustento do negócio é assegurado por um primeiro investimento de 50 mil kwanzas, que serviu para comprar matéria-prima na província do Uíge, Cuanza Sul e Malanje.
Uma cadeira é vendida a 10 mil kwanzas, um cesto grande para guardar a roupa 5 mil, um sofá de dois lugares 15 mil, enfim o tamanho determina o preço do artigo.
O imortalizado poema do fundador da nação Agostinho Neto “havemos de voltar, ao nosso carnaval, as nossas tradições, havemos de voltar” enquadra-se bem no momento.
Kankunda André confirma que muitas vezes para sorrir à vida, é preciso recorrer ao passado, tradições e origem. Ganha em média cerca de 80 mil por mês uma quantia que deixa-lhe satisfeito.
“Há meses que não conseguimos facturar, sabe que nem todos os dias são santos ,o que fica em nós, é que, o amanhã pode ser melhor”, explica.

Matéria-prima
A materia-prima deste artesanato é o bambu, que dura muitos anos para se estragar. Conta que seu mestre tem cadeiras e sofás, aliás muitos artigos que já duram anos desde que foram feitos.
O artesão conta com a colaboração de quatro pessoas, para garantir a sustentabilidade do trabalho feito com muita
mestria e astúcia.
O grupo de colaboradores é engrossado por outros dois jovens que estão a apreender a arte.

Clientes
Com a carteira de clientes diversificada, os seus artigos são comprados por moradores da centralidade do Kilamba.
Outros potenciais compradores provêm do município de Viana, Zango e arredores.
Em Dezembro passado, André registou o cimo no negócio ao vender numa sentada 20 peças a um grupo de estrageiros.
A facturação a 120 mil kwanzas, valor que serviu para cobrir o défice económico famíliar naquele momento. Além de ter resolvido os problemas escolares dos seus filhos.
Aparentemente, a acção dos expatriados serviu de balão da “sorte” daí em diante recebe sempre clientes que procuram os serviços por orientação do primeiro grupo.
“Tem sido muito bom os nossos artigos serem comprados por portugueses, brasileiros e turcos que valorizam muito o
nosso trabalho”, disse.

Formação
Transpirado, vestido de calções e uma camiseta pretende manter a linha de formação para manter a arte em pé.
Esta missão começa em maio, altura que terá matéria-prima em quantidades e vai assim começar a dar formação aos adolescentes endereçados.
A primeira fase vai contar com a - aderência de dois, segundo o jovem estão muito interessados em aprender.
“Há necessidade de ensinarmos aquilo que nós sabemos, senão a arte morre”, finalizou.

Artesãos valorizados no mercados

Reflexo das diferentes etnias que habitam o país, o artesanato angolano é rico e variado. Além do seu valor estético, a arte africana tem sempre um valor funcional e todas as peças possuem um significado, uso ou ritual. Entre os criadores e artistas angolanos, existe uma preocupação em aliar a beleza visual e a estética com significado simbólico.
Depois do desmantelamento do mercado de arte no Benfica, o executivo através do Gabinete de Obras Especiais (GOE), construiu um complexo que alberga o maior centro de produção, exposição e comercialização de peças de artesanato de Luanda.
Concebido para que turistas e interessados desfrutem e apreciem as peças artesanais, o novo mercado do artesanato possui espaços verdes e zonas de serviço com um total de 275 bancadas, atelier, espaço café, exposição e um auditório com capacidade para 161 lugares.
Muitos artistas vivem desta actividade, esculpindo peças, onde o pensador, a Rainha Njinga e outras figuras históricas são muito procuradas.