Em quase todos bairros da cidade de Luanda, a venda ambulante de bijuterias chama a atenção de quem passa nas ruas e, naturalmente, cai na tentação de comprar uma peça pelos preços atractivos comparativamente às jóias.
Clientes de vários estractos sociais desde jovens a adultos procuram os vendedores, onde o custo acessível faz com que o negócio seja lucrativo atendendo a rotatividade do mesmo.
Na rua Cónego Manuel das Neves, por exemplo, é notório mulheres e rapazes a vender bijuterias. Normalmente, arrumam os seus lugares a partir das 6 horas da manhã. Na montra, podemos encontrar mascotes, fios, brincos, anéis, missangas, correntes, colares, entre outros.
Os vendedores arrumam as peças em lugares que chamam atenção dos transeuntes que no período da manhã ou da tarde procuram regularmente as novidades para se apresentarem de forma diferente no local de trabalho.
Os valores variam podendo uma mascote custar três mil kwanzas e um fio a cinco mil.
Não são todas as pessoas com possibilidades financeiras de comprar jóias, diz Osvaldo Kaziza, um dos vendedores ambulantes. Pois, são peças caras, desde objectos feitos de ouro
a outros metais preciosos.
Em contrapartida, as bijuterias são adornos feitos com matérias de menos custo, mas lindos e extremamente baratos inspirados em jóias e os seus formatos.
“Os dias de maior venda são as quintas e sextas-feiras e posso atingir uma venda diária de cerca de 30 mil kwanzas”, diz Osvaldo. Acrescentando que os meses de Fevereiro, Março, Junho e Dezembro são os de maior venda.
Os detalhes nas bijuterias são outro referencial. As folheadas normalmente são as mais chamativas com um design deslumbrante dá um toque mais charmoso.
Seu destaque está no acabamento, e quase sempre a seguir a tendência do mercado da moda. Os vendedores dizem que as mulheres são as que mais compram, mas não descartam os homens como os clientes que também ajudam na facturação diária.
“Em Angola não há fábricas de bijuterias e se tivéssemos, os preços seriam ainda mais competitivos dos praticados actualmente, uma vez que este material é todo importado e o momento menos bom que a economia atravessa também contribuiu para diminuição de clientes”, frisou Osvaldo Kaziza dando ênfase que a maior parte das bijuterias que se vendem no país são provenientes da China, Índia, Namíbia e Europa.

Requinte
“O diferencial reside em ter quase sempre bijuterias que estão na moda ou mesmo iguais as jóias que as pessoas formosas em novelas normalmente usam. Usualmente, são as jovens que procuram mais os nossos produtos porque além da qualidade apresentada o maior diferencial reside nos preços “, garante Amada Alberto
revendedora ambulante.
Para ela, o volume das vendas é que torna este negócio rentável. Todavia, para vender muito é preciso ser diferente porque hoje o mercado está difícil e as pessoas compram menos. Amada Alberto é exemplo disto, e transforma as bijuterias que vende em peças de arte. “ O meu diferencial com relação aos outros revendedores reside na criatividade. Sempre que possível transformo-as em peças únicas, ou seja, personalizo-as e os meus clientes gostam e encomendam sempre”, afirma. Na sua bancada podemos encontrar mascotes, fios de pescoço, brincos, anéis, missangas, correntes, colares, cordões, tiaras, piranhas, bananas clip, colares cordão, pulseiras de pedras, braceletes de metal nos preços que variam de três a 15 mil kwanzas. Amanda Alberto conta que inicialmente investiu 50 mil kwanzas, hoje o volume de negócio ronda os cerca de 300 mil. Afirma, que por dia pode atender mais de dez clientes de várias nacionalidades entre cubanos, argelinos, franceses, portugueses e angolanos.

Negócio rentável
As bijuterias são produtos de grande aceitação e que sempre admitem novas tendências e assim dificilmente saiem da moda, segundo Rosária Ndungo, vendedora ambulante nos arredores do mercado do São Paulo. Afirma que há mais saída à venda de anéis (4 mil kz) mascotes (3.500) e colares( 7 mil). Pode vir a lucrar cerca de 80 mil kwanzas. “O segredo reside nos preços das peças e na rotatividade do produto”, afirma.
Refere, que a localização e a forma como se vende também é outro diferencial, por isso a preferência recaí a locais onde há maior movimentação de pessoas, ter várias bancadas e stok suficiente para atender os clientes até em suas casas.
As bijuterias são artigos que se vendem facilmente e é possível encontrá-las em muitas esquinas ou bairros. O mercado do São Paulo, Kikolo e do Panguila por exemplo, são lugares de referência na venda de bijuterias.
No mercado do kikolo, as vendas deste artigo a grosso acontece das 6 às 12 horas. Vários revendedores retalhistas adquirem no local seus produtos. Dependendo do número de peças que quer comprar será possível baixar o valor de
alguns itens.

Jóias
O conceito de jóias é discutível, uma vez que também carregam consigo um sentido de afecto. Pode ser considerado jóia, o enfeite com óptimo design, de técnica bem desenvolvida, o que incluiriam as peças feitas em materiais como a prata, madeira, o cobre, o aço, o couro, bambu, ouro, diamante, entre outros.
A durabilidade é outro diferencial que inclui também uma boa montagem, aquilo que não quebra ou desmonta com facilidade.
Em Angola, já encontramos algumas joalharias, como é o caso da Artes Jóias, situada na rua da ex-liga africana. E segundo a sua proprietária, Isabel Grosso, as peças lá encontradas são todas feitas de minerais preciosossendo que uma mascote de ouro vem a custar 900 mil kwanzas, um par de aliança por 100 mil.
O público-alvo é formado por pessoas de classe média e alta.