Há uma semana, países de fora da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) conseguiram um acordo para cortar a sua produção, com o objectivo de reduzir o excesso de oferta global, elevar os preços e apoiar economias afectadas pela fraqueza dos contratos nos últimos dois anos. Se cumprido, o acordo representará um nível sem precedentes de cooperação entre os países
produtores de petróleo.
A Agência Internacional de Energia (AIE) já informou que o compromisso de países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e de fora do grupo para cortar a produção deve ajudar a equilibrar a oferta e a demanda no I semestre de 2017. A AIE indicou que houve um aumento nas reservas globais da matéria-prima para 98,2 milhões de barris por dia, com a maior produção da Opep a superar a queda na
produção de fora do cartel.

Entrada do acordo
O analista da consultoria Energy Aspects, Richard Mallinson, disse que a AIE apontou que o corte prometido da Opep é positivo para o mercado. Mas, a entidade não disse quanto dele será implementado. O acordo entra em vigor a 1 de Janeiro, mas a redução deve ser realizada em etapas. Os membros da Opep têm um histórico de pouco respeito às quotas definidas, o que gera dúvidas sobre se os cortes devem se materializar de facto. O Goldman Sachs lembrou que, de 17 cortes na produção combinados desde 1982, os membros da Opep reduziram a produção na média em apenas
60 por cento dos acordos.
Analistas dizem que, caso as quotas sejam totalmente respeitadas, o mercado de petróleo poderia passar a ter um défice na oferta. A retirada do excesso de barris do mercado fará os preços subirem, possivelmente para entre 60 ou 70 dólares o barril, mas isso dependerá de produtores com um histórico de não cumprimento de iniciativas desse tipo, diz a BMI Research. “Nós notamos que, quanto mais alto o preço do barril, maior a tentação para desrespeitar as cotas alocadas”, lembra a consultoria. A produção na Nigéria e na Líbia, os dois membros da Opep que foram no momento excluídos do acordo de corte, também gera risco de baixa para o sucesso do plano da organização, aponta o Morgan Stanley. Os participantes devem reunir-se dentro de seis meses, para avaliar o progresso da iniciativa.
Preços mais altos ainda poderiam levar os produtores de xisto dos EUA a elevarem a sua produção, um outro potencial dado que anima os benefícios da iniciativa.