Até 2015 os indicadores do plano estratégico nacional pretendem aumentar a teledensidade e melhorar o posicionamento no quadro da SADC

Angola pode registar níveis bastantes aceitáveis no sector das telecomunicações até ao ano de 2015, altura em que se prevê atingir a cifra de 5,45 por cento de acesso às populações dos serviços de telefonia fixa, contra menos de 1 por cento na actualidade. Já no sector dos telemóveis os números, actualmente, superam a previsão de 43 por cento de acesso aos serviços.

Por esta via, o Executivo está comprometido em garantir o cumprimento da taxa obrigatória de acesso aos serviços de telefonia que são de 1 por cento na rede fixa e mais de 40 por cento nos móveis, conforme definidas pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) para a região Austral de África (SADC).

Segundo dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inacom), até 2015 Angola vai colocar-se entre os quatro melhores países da região que reservam para si os maiores índices de penetração dos serviços de tecnologia de informação e comunicação às populações. Com isto, o país vai superar a actual situação deficitária dos serviços, caracterizada pelo baixo acesso e má distribuição das respectivas redes de infra-estruturas de apoio pelo interior do país.

Rede fixa

Com a entrada dos serviços de telefones móveis, os indicadores de acessibilidade aos telefones fixos caíram de forma acentuada. Esta realidade parece ser tão evidente nos países da região austral do continente que Angola não fugiu à regra. Assim, contra a previsão da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que definiu a meta de 1 por cento na tele-densidade (valor que mede quantas pessoas em cada 100 habitantes têm acesso aos telefones) para a região, o país atingiu até 2009 a cifra de 0, 72 por cento, apesar do ligeiro aumento em relação aos 0,4 por cento de 2002. Para já, a previsão é de até 2015 atingir-se uma cifra de 5,45 por cento, ultrapassando, deste modo, as expectativas da autoridade internacional para o continente, no referido período.

Para que estas metas sejam alcançáveis, o desafio começa com a refundação da única empresa pública. A Angola Telecom deverá continuar com os programas de expansão e melhoramento do sinal da sua rede pelas 18 províncias do país, e deverá ainda moderniza-los, disponibilizando outros serviços, que incluem novos pacotes, além dos actuais de voz e de dados.

O director do gabinete jurídico da empresa, José Miguel, reforçou a visão expansionista da Angola Telecom, garantindo que a operadora pública vai tudo fazer para satisfazer as crescentes necessidades de telecomunicações e tornar o sector em elemento catalisador do desenvolvimento económico.

Nesta perspectiva, o sinal de desenvolvimento e facilitação no acesso aos serviços da rede fixa foi manifestado com a inauguração e completa digitalização da rede que vai apoiar a província do Kwanza-Sul em toda a sua extensão, avaliada em mais de 20 milhões de dólares, um projecto financiado pelo governo de Itália. Os responsáveis da empresa prometem que o programa vai continuar por outras provínciais, onde se evidenciam as necessidades de melhoramento dos serviços oferecidos.

Rede móvel

Conforme avançou, o director geral do Inacom, Pedro Mendes, a rede de serviços de telefonia móvel no país está bastante avançada, atingindo já uma cifra de tele-densidade superior a 60 por cento. Equivale dizer que em cada 100 angolanos, 60 já são detentores de telemóvel.

O crescimento deste segmento permitiu ao país superar os cerca de 30 mil assinantes controlados até 2002. Actualmente, os números indicam existir em actividade mais de oito milhões de linhas ou telefones móveis, no conjunto das operadoras Unitel e Movicel.

A tele-densidade é o valor ou unidade de medição que consiste em avaliar quantas pessoas em cada 100 habitantes têm acesso ao serviço de telefonia. Nesta perspectiva, foi considerada a possibilidade de existirem cerca de 15 milhões de habitantes em todo o território nacional.

Tarifários

Pedro Mendes, pelo Inacom, e José Miguel, pela Angola Telecom, convergem na ideia segundo a qual é pura ilusão e até mesmo falso afirmar-se que Angola possui os preços tarifários mais caros da região, ou até mesmo do continente.

“Basta que para tal comparemos os quadros de preços praticados pelas operadoras em cada um dos países”, disseram.

Para eles, também é fundamental considerar-se existirem factores locais para a diferenciação dos preços, e apontam a rede eléctrica como uma das que mais ajuda a encarecer qualquer serviço no país, pois pelas suas deficiências, as empresas optam sempre em fontes alternativas para garantirem um serviço de qualidade.

Segundo o director do Inacom, actualmente, onde existir uma antena repetidora de sinal, de qualquer operadora, há também um elemento de segurança para a proteger, um gerador de electricidade e outros meios, os quais não encontramos nos países vizinhos. Todos estes intervenientes, no entender do responsável, acabam por contribuir para o encarecimento do serviço de telefonia, cujo custo recai ao consumidor final.

Ainda assim, a fonte manifesta o seu contentamento, uma vez que, segundo afirma, o sector das telecomunicações, nos últimos anos, contribuiu com zero por cento para a taxa de inflação. Significa que os preços tarifários são estáveis, daí garantir não existirem perspectivas de aumento, para os próximos tempos.

Novo operador

Quanto à possibilidade da entrada de um novo operador no sector dos telemóveis, Pedro Mendes disse que este é um debate antigo, mas que até ao momento não passou disto mesmo. Defende que os dois actuais operadores respondem aos avanços que, neste momento, o sector assiste, e que a chegada de mais um operador pode complicar, ao mesmo tempo que pode criar maior competitividade ao sector, face aos problemas actuais que o mercado enfrenta por dificuldades de infra-estruturas capazes de garantirem serviços sem falhas.

“Numa dada altura, julgámos que era boa a ideia de entrar um terceiro operador móvel, mas a realidade do nosso mercado, e face a convergência, uma vez que as operadoras existentes parecem utilizar os mesmos sistemas, os mesmos aparelhos, e enfim”, disse, acrescentando que estas questões desafiam-nos se valerá mesmo a entrada de mais um terceiro.

A garantia que veio do Inacom é a de que para um futuro breve, o mercado vai continuar com as actuais duas empresas, sendo apenas fundamental a conjugação do trinómio preço, qualidade e ubiquidade.

Conforme explica, preços estáveis e de encontro à capacidade financeira das nossas populações vão permitir o aumento de mais assinantes. Já a qualidade tem a ver com a disponibilidade de um serviço confiável ao cidadão e prestado com a maior eficácia e eficiência, ao passo que a ubiquidade aponta para a necessidade de todas as operadoras e o Executivo se esforçarem em colocar o serviço de telefonia fixa ou móvel onde existam aglomerados populacionais.

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