Os bancos comerciais terão de disponibilizar já a partir deste mês de Abril, um valor não inferior a 260 mil milhões de kwanzas (equivalente a 800 milhões de dólares) em créditos à produção nacional.
A medida é do Banco Nacional de Angola (BNA) que fixa em 2,00 por cento do activo total, calculado em 13 biliões de kwanzas em 2018, o valor a conceder em financiamentos obrigatórios, tendo em vista a acção de diminuir as importações e permitir que localmente seja possível produzirem-se os alimentos básicos.
Doravante, os produtores nacionais, ao recorrerem à banca comercial para créditos, deverão pagar somente em juros um máximo de 7,5% contra os 26 cobrados até aqui.
De acordo com o banco central, em alimentos, nos últimos três anos, Angola gastou mais de 8 mil milhões de dólares e há necessidade de inverter-se este quadro. Com a decisão vai-se alocar as poucas divisas disponíveis para a produção nacional, acção de que resultará também um alívio às Reservas Internacionais Líquidas (RIL), actualmente em cerca de 15 mil milhões de dólares e só capazes de suportar 8 meses de importação de alimentos em casos de extrema necessidade.
Segundo fez saber o administrador Pedro Castro e Silva, os bancos que não atingirem a meta estabelecida deverão justificar, detalhadamente, as razões, sob pena de serem penalizados com multas, além de recomendações para assegurar-se do seu cumprimento.
“O crédito vai ser dado às micro, pequenas e médias empresas, inclusive aquelas da agricultura familiar. O problema que temos tem haver com as competências e a produtividade”, afirmou.

ABANC vai cumprir
O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, considerou, na ocasião, que a taxa de juro fixada pelo BNA é desconfortável para os bancos comerciais.
De acordo com o representante, os bancos concedem empréstimos com preferência a candidatos que têm capacidade de retorno imediato “e há muitos produtores nacionais que não inspiram, confinam e deviam começar por aprimorar os seus conhecimentos”, fez saber.
Segundo disse, os bancos comerciais vão agir estritamente conforme as orientações do BNA, esperando outras vantagens, como aumento de clientes, da carteira de crédito e melhoria do relacionamento com o empresariado nacional, além de aumentar a participação no financiamento à economia.
“O aviso do BNA vai ajudar para que haja condições para se conceder mais crédito bancário. Os bancos estão preparados. Temos uma porta aberta para os empresários. Portanto, aconselhámos-lhes que elaborem bem os estudos de viabilidade técnica, económica e financeira, para garantirem os empréstimos disponíveis na banca”, aclarou.