Os operadores do mercado vêem neste instrumento um excelente mecanismo no sentido do reforço e consolidação de posição no mercado financeiro nacional.

Entre os 164 municípios que constituem as 18 províncias de Angola, numa extensão de 1.246.700 quilómetros quadrados, apenas 64 possuem agências bancárias, que, até muito recentemente, foram estimadas em pouco mais de 870 balcões. Acrescenta-se a isso o facto de só Luanda concentrar mais de metade desses espaços físicos, com 53 por cento.

Estes números apontam para a necessidade e urgência da expansão da rede bancária por todo o país, atendendo à perspectiva de se verem diminuídas as assimetrias regionais, em termos de oportunidades económicas, por via do crescimento orgânico e da introdução de produtos e serviços financeiros inovadores.

A previsão das autoridades é de superar a actual margem de 11 por cento da taxa de bancarização, elevando-a para níveis de até 20 por cento, num processo que se espera ser apoiado com mil agências, até finais de 2012.

Especialistas apontam como principal indicador de mercado o facto de existirem no país mais de sete milhões de telemóveis em operacionalidade, o que faz antever a existência de um potencial a explorar.

Deste modo, o posicionamento da banca permite também avaliar o seu forte crescimento orgânico, o que faz com que os 20 operadores licenciados encontrem um extenso campo de acção para a implantação de novos projectos. Tomando em consideração os níveis de bancarização em países como os EUA (90,5 por cento), Portugal (88,8), África do Sul (46), só para citar alguns, torna-se evidente o desafio que o mercado angolano e, até mesmo, a realidade internacional impõem aos operadores sobre a possibilidade de maior rentabilização e distribuição territorial deste negócio.

Ainda muito recentemente, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, disse que a sua instituição vai continuar a criar condições para que o sistema financeiro angolano assegure a sua robustez e possa, de forma muito particular, apoiar o crescimento da actividade económica do país. Aliás, no triénio 2006-2008, também considerado o “ano de ouro” da banca, Angola com 17,3 por cento, em termos de variação real do Produto Interno Bruto, posicionou-se como a segunda economia que mais cresceu no mundo, em frente de países como o Qatar (15,6 por cento), o Butão (11,8) e a Etiópia (11,5), só atrás do Azerbaijão (21,9).

Visão dos operadores

Por sua vez, o economista Jorge Leão Peres, num estudo, considerou que algumas condicionantes se impõem para a viabilização da nobre e patriótica tendência de expansão da banca pelo país e consequente reforço da bancarização. Factores como o da criação de condições propícias para o desenvolvimento da actividade económica e outras do fórum regulamentar devem combinar para um bem comum.

Conforme considerou, afiguram-se ainda de todo importante a regulamentação das instituições financeiras não bancárias, como por exemplo as sociedades cooperativas de crédito, a promoção da literacia financeira e a materialização dos princípios de inclusão financeira, que é de prover o acesso a serviços e produtos financeiros adequados às necessidades da população.

No arranque de 2011, alguns dos operadores do sector bancário angolano apresentaram as suas estratégias de reforço do plano de bancarização, onde, além da inovação de serviços e produtos, apresentaram como prioridade, a implantação e abertura de outras tantas novas agências pelo país, com primazia para os municípios onde até ao momento não chegaram os serviços. Esta clara aposta no processo de inclusão bancária dos cidadãos vem também abrir portas ao programa de reforço da municipalização das localidades, que prevê a autonomia dos gestores locais, no que diz respeito ao angariamento de receitas e implantação de unidades produtivas nas suas localidades. A banca é considerada parceira estratégica destes programas, uma vez que ela continua com um forte papel de intermediação financeira, isto é, capta recursos financeiros e os aloca em forma de crédito à economia.

Novas agências

A administração do Banco Internacional de Crédito (BIC) apostou na implantação de 30 novas agências pelo país, que, juntamente as já existentes, vão totalizar 172 balcões. O BIC está presente em todas as sedes de capitais de província e prevê atingir o pleno da sua presença em todos os municípios nos próximos anos.

Presente em 12 províncias, com 39 balcões, o Banco Millennium Angola (BMA) quer edificar 25 novas agências e atingir a marca de 64 agências e chegar às 18 províncias e superar os 150 mil clientes.

Já o Banco de Poupança e Crédito (BPC) previu para mais 40 novas agências o seu crescimento orgânico e a cifra de um milhão e meio de clientes. Uma vez presente em todo o país, a estratégia passa pelo reforço da confiança do mercado nos seus serviços e produtos.

Com 80 balcões em funcionamento, o Banco Africano de Investimentos (BAI) pretende reforçar os índices de bancarização das populações elevando o nível de eficácia e de eficiência dos seus serviços. Por esta razão, definiu implantar mais de 20 agências, ainda no decurso deste ano.

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