Banco Mundial está preocupado com os efeitos em países em desenvolvimento de uma desaceleração da criação de dinheiro nos Estados Unidos e agirá para fornecer capital barato quando os custos de empréstimo subirem, afirmou o presidente da entidade, Jim Yong Kim, na
quarta-feira (19).

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, provocou uma agitação nos mercados financeiros desde que o seu presidente, Ben Bernanke, anunciou em 22 de Maio que a instituição que dirige poderia, antes do final do ano, começar a desacelerar o ritmo em que cria dólares.

Mercados emergentes, que recebem a maior parte desse dinheiro, têm aguentado o fardo dos temores
dos investidores.

“Estamos constantemente a observar quais são os efeitos dessas políticas monetárias não convencionais em países em desenvolvimento especialmente”, disse Kim à Reuters, em entrevista.

“Se os Estados Unidos recuarem... e reduzirem o seu ‘quantitative easing’ (compra de activos), os custos de empréstimos vão subir e achamos que eles também vão subir para países em desenvolvimento. E essa é uma
preocupação real”, afirma.

O Fed realizou a sua reunião de política monetária na quarta-feira. Analistas esperam que o banco mantenha abertas as opções em relação à redução neste ano, após alguns dados económicos recentes mistos.

Jim Yong Kim não espera uma saída de capitais dos mercados emergentes como a vista na crise financeira asiática do fim dos anos 90. Ele também não espera que a política do Fed mude para ser
“curta e rigorosa”.

“Ben Bernanke... tem sido uma voz firme e clara sobre o que é necessário”, disse Jim Yong Kim.
Conforme admitiu, uma economia mundial repleta de dinheiro emitido pelos bancos centrais e com o Japão agora a embarcar num programa de estímulo sem precedentes está em “território desconhecido”.

“Se o preço do capital começar a subir, então, nós vamos ter que nos mexer para encontrarmos maneiras de criar novos instrumentos para tornar o capital disponível para a infra-estrutura”, afirmou Jim Yong Kim.

Linha de crédito
Conforme foi avançado pelo responsável, o banco está a trabalhar numa linha global de crédito para a infra-estrutura para tornar o capital disponível. O presidente do Banco Mundial disse que os países de renda média estão preparados para investir, porque eles sabem que o envolvimento da instituição também vai “atrair” o capital privado.

Jim Yong Kim disse ser bastante notável como muitos países emergentes se recuperaram tão rapidamente da crise financeira global de 2007 a 2009, mas é, igualmente, notável, numa época de taxas de juros ultrabaixas, que esses países possam não ter acesso ao investimento viável de longo prazo. “Eles estão dizendo que fizeram todas as coisas certas... Mas ainda não têm acesso ao capital”, disse.

No longo prazo, segundo referiu Jim Yong Kim, o Banco Mundial tem o papel crucial de reduzir o risco dos projectos de infra-estruturas, particularmente na África, para atrair os investidores privados de longo prazo.

“O investimento do sector privado tornar-se-á numa parte muito importante da nossa estratégia”, finaliza.