O preço do barril de brent nos mercados internacionais, na terça e quarta-feira desta semana, esteve cotado entre os 60 e 62,54 dólares, depois de na semana anterior ter descido para cerca de 58 dólares.
Os analistas dos mercados encaram esta tendência altista do barril uma “boa notícia”, sobretuido para os produtores que podem esfregar as mãos de contente e traçar novos encaixes para as receitas dos países.
Numa outra perspectiva, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) cortou a sua projecção para o avanço na procura global por petróleo, em 2019, pelo segundo mês consecutivo, citando a desaceleração económica dos Estados Unidos e da zona do euro, além das tensões comerciais entre americanos e chineses como os factores.
Em relatório mensal divulgado na quarta-feira, a Opep reduziu a previsão para o crescimento da demanda por petróleo este ano para 1,02 milhão de barris por dia (bpd). O corte representa uma redução de 80 mil bpd em relação à previsão publicada em Agosto, quando a Opep estimou avanço de 1,1 milhão de barris na demanda mundial. O grupo atribuiu a revisão a dados mais fracos do que o esperado de centros de demanda globais e a cortes a projecções de crescimento económico.
A Opep também reduziu a sua previsão de alta na demanda em 2020, para 1,08 milhão de bpd, também por causa da expectativa de crescimento económico menor. Além de citar a guerra comercial entre EUA e China, o grupo apontou a expansão económica menor do que se previa na Índia, emissões de dívida soberana da Argentina e as incertezas do Brexit - como é conhecido o processo para que o Reino Unido se retire da União Europeia.
No relatório, a Opep elevou a sua projecção para o aumento da oferta fora do grupo em 2019 em 10 mil bpd, a 1,99 milhão de bpd, após revisar para cima estimativas para produção da Rússia, Casaquistão, Austrália e Canadá, que se sobrepuseram a um corte na oferta esperada dos EUA.
Apesar de revisar a oferta dos EUA para baixo, a Opep espera que a produção americana continue a ser um dos principais catalisadores de avanço neste ano, junto com Brasil, China e outros países.
Para 2020, no entanto, a Opep cortou sua projecção para o avanço da oferta fora do grupo para 2,25 milhões de bpd, graças a uma redução na produção estimada dos EUA, que deverá mostrar acréscimo de 1,54 milhão de bpd, desacelerando de 1,8 milhão de bpd este ano.
O documento não fornece número oficial da produção total da Opep em Agosto, mas mostrou acréscimos na produção da Arábia Saudita (209 mil bpd), da Nigéria (78 mil bpd), do Iraque (30 mil bpd) e da Venezuela (27 mil bpd), segundo a Dow Jones Newswires.