Os cofres do Estado angolano, no I trimestre deste ano, beneficiaram de 2,79 mil milhões de dólares (891,4 mil milhões de kwanzas).
Este valor equivale a 37 por cento do total de 7,55 mil milhões de dólares (2,4 biliões de kwanzas) que foi a receita petrolífera bruta arrecadada no período, pela Sonangol e as suas Associadas.
Seguindo a métrica de cálculos da Administração Geral Tributária (AGT), a soma de 3,09 mil milhões de dólares (990 mil milhões de kwanzas), que representam 41 por cento, destina-se à recuperação dos investimentos aplicados.
Já os operadores colhem como lucros 1,66 mil milhões de dólares (530,4 mil milhões de kwanzas) igual a 22 por cento.
O total de 7,55 mil milhões de dólares (2,4 biliões de kwanzas) resulta da exportação de 119,79 milhões de barris a um preço médio ponderado de usd 63,0598 (20,149 kwanzas).
De acordo com os dados avançados, esta semana, no balanço que o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET), organizou em parceria com a Sonangol e as empresas associadas, comparativamente ao IV trimestre de 2018, há o registo de uma diminuição de 8,83 milhões de barris na quantidade de exportados. Já em relação ao I trimestre de 2018 (período homólogo), os dados da Direccção Nacional de Mercados e Promoção da Comercialização, do Mirempet, confirmam uma redução de 10,29 milhões de barris.
Na apresentação do relatório, o director Nacional de Mercados e Promoção da Comercialização, Gaspar Sermão, disse que o seu pelouro, reunir-se-à, trimestralmente, com as companhias petrolíferas que exportam o petróleo bruto angolano.
Explicou que os encontros visam, fundamentalmente, três objectivos, sendo:

1. Acompanhar a evolução do mercado petrolífero em geral e em particular as ramas angolanas;
2. Acompanhar a performance das companhias exportadoras de petróleo bruto angolano;
3. Com base no resultado das realizações determinar o preço de referência fiscal do petróleo bruto e do LPG (Gás de Petróleo Liquefeito, na tradução livre).

Baixos preços fazem cair lucros


As vendas do petróleo bruto da Sonangol, no primeiro trimestre de 2019, somaram 2,827 mil milhões de dólares, contra os 3,0 mil milhões de dólares registados no quarto trimestre de 2018, uma redução de 6,9 por cento. O valor total é resultado das vendas de 45 milhões 125 mil e 833 barris de petróleo ao preço médio de 63,131.
Os dados foram avançados pelo presidente da Comissão Executiva para a Comercialização Internacional (SONACI),  Luís Manuel, na última terça-feira, num fórum para apresentações das realizações do Iº trimestre de 2019 e perspectivas das empresas petrolíferas.
A companhia considerou que a redução registada entre os períodos em referência deveu-se, principalmente, à diferença registada  no preço médio das vendas, que passou de 67,341 no 4º trimestre contra os actuais 60,171.
Luís Manuel apontou ainda como causas o clima cordial entre a China e os Estados Unidos da América, nas suas conversações em relação às tarifas que poderiam adoptar nas suas transacções, bem como os desafios da contínua paralisação da produção da Líbia e as sanções  dos E.U.A à Venezuela.
Os cortes de produção da OPEP, as sanções impostas  ao Irão pelos EUA, a  variação dos níveis dos  stocks  deste mesmo  país, estiveram  igualmente na  base do comportamento do preço do petróleo, entre outros.
Em relação ao desempenho das  ramas angolanas no mercado, Luís Manuel avançou dois  factores que  ocorreram no primeiro  trimestre de 2019, nomeadamente, o  estreitamento  do diferencial entre  duas ramas  de referência (a rama referencial Brent, que é a base das vendas do petróleo bruto angolano) e a rama de referência do Dubai (que influencia o mercado do Médio Oriente).
“Portanto, estas duas  ramas de referência tornaram viável o fluxo aceitável do petróleo produzido em Angola para as refinarias asiáticas”, disse.

Plataformas em offshore continuam a descobrir novas reservas de crude


Entretanto, Luís Manuel destacou ainda o alargamento do diferencial entre outras duas ramas de referência, o Brent e o WTI, este último tem grande influência no mercado americano.
As taxas de frete voláteis influenciaram de igual modo no comportamento no desempenho nas ramas angolanas, acabando por ser a razão para a limitação da compra de ramas angolanas por parte de refinarias asiáticas, no período em referência.
Quanto aos destinos das ramas, a República da China continua a ser o principal com 55,87 por cento contra 72,28 (4º trimestre de 2018). Segue-se na tabela a Índia com 15,70, Espanha 7,5, África do Sul (2,05%), e EUA, Coreia do Sul, Franca, Itália, Israel e Uruguai, com menos dois por cento cada um.

Comercialização

Quanto às importações, a Sonangol poupou, no período em referência, cerca de 450 milhões em termos de custo com a importação de toneladas métricas de petróleo, em relação ao quarto trimestre de 2018.
“Foram importados, neste período, um valor bruto na ordem dos 221 milhões, 434 mil e 672 dólares norte-americanos com a importação de 397 mil e 458 toneladas métricas de petróleo”, informou.
No quarto trimestre de 2018, a Sonangol teve um dispêndio de 678 milhões, 525 mil e 773 dólares, com a importação de 975 mil e 277 toneladas métricas de petróleo.
As exportações de petróleo da Sonangol fecharam o primeiro trimestre em 216,7 mil toneladas métricas de petróleo, representando um acréscimo de 57,4 na comparação com o 4º trimestre do ano passado.
As referidas exportações resultaram num encaixe de 94 milhões 804 mil e 737 dólares americanos, com um incremento de cerca de 55 milhões de dólares de receitas face ao 4º trimestre do ano passado.
Recorde-se que a AGT, em finais do ano passado, esclareceu que apenas 37 por cento das receitas arrecadadas com a comercialização do petróleo são canalizadas aos cofres do Estado angolano, 41 por cento servem para recuperação dos investimentos e 22 por cento constitui o lucro das companhias petrolíferas.

Donwstream é abordado

Os operadores do sector petrolífero abordam, hoje, no Ministério dos Petróleos as operações em Donwstream (fase logística, ou seja, o transporte dos produtos da refinaria até aos locais de consumo. Resume-se no transporte, distribuição e comercialização dos derivados do petróleo).
A logística e distribuição dos derivados é um dos temas que tem merecido relevância na agenda dos decisores, uma vez que ainda há margem de crescimento aos operadores, e até oportunidades para a entrada de novos “players”.
No fim do ano passado, um acordo entre a Sonangol e a Total permitiu que a segunda entrasse no segmento de distribuição, operando em novas bombas de abastecimento.

Agência nacional pronta a operar

O secretário de Estado dos Petróleos, José Alexandre Barroso, afirmou esta semana, à imprensa, que a Sonangol já está desde o dia 18 deste mês a efectivar a transferência das competências anteriormente a ela delegada para a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).
Informou que um dos principais focos da ANPG será a atribuição de concessões  para  a exploração e “a manutenção dos níveis de produção, a descoberta de novas reservas e  desenvolvimento de campos já em exploração, são entre outras, apostas do sector”.
Criada por via do Decreto Presidencial de 48/19, de 6 de  Fevereiro, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustivéis foi criada para assegurar maior coordenação política, eliminar eventuais conflitos de interesse, aumentar a transparência e a eficácia dos  processos e criar condições de atractividade do investimento privado, na indústria petrolífera, são entre outras responsabilidades.
O quadro legal para o exercício efectivo da função concessionária da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) foi concluído com a publicação da  Lei 5/19,  de 18 de Abril, que altera a Lei 10/04 de 12 de Novembro , Lei das Actividades Petrolíferas.