O governo do Banco Nacional de Angola (BNA) tem à sua guarda 14,08 mil milhões de dólares do total de 16 mil milhões controlados como Reservas Internacionais Brutas, deixando no momento, apenas 1,92 mil milhões (12%) ao controlo de entidades externas.
Antes de 2017, disse, o BNA tinha um portfólio de activos com grande parte das reservas internacionais, na ordem de 30 por cento geridas por entidades externas. Está prevista ainda uma outra redução este ano, para que esses activos sob gestão de entidades externas seja apenas de 10 por cento, ao contrário dos actuais 12 por cento.
O administrador, Miguel Miguel, apresentou os dados actualizados das reservas do país esta semana, durante uma sessão do Ciclo Anual de Conferências do Banco Nacional de Angola, subordinada ao tema “Sustentabilidade das Reservas Internacionais”.
“As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) andam à volta dos 10 mil milhões de dólares e a Bruta nos 16 mil milhões de dólares”, esclareceu.
Miguel Miguel disse ter decidido o BNA reduzido, em 2018, o número das entidades externas gestoras das Reservas Internacionais Líquidas (RIL), acção que permitiu ao Banco Central gerir 90 por cento.
O responsável disse ainda, que existe uma demanda muito grande de receitas cambiais para fazer face às importações, e isso não tem estado a reduzir. Por isso, pelo nível de reservas que temos hoje, e com o nível de demandas que foram verificadas no mercado particularmente para as importações, chegou-se à conclusão que continuar-se assim não é sustentável.

Reversão da insustentabilidade
Questionado sobre o que está a ser feito para dar a volta a este caminho de insustentabilidade, o responsável disse ser importante que se invista muito na produção nacional, porque se continuarmos a importar com os níveis que estamos hoje, e não começarmos a produzir internamente, as reservas não serão suficientes para fazer face ao nível da demanda que hoje se verifica no mercado.

Falta de investimentos
Por sua vez, a directora da Agência Nacional de Petróleo e Gás, Natacha Monteiro Massano, disse que em 2019, a produção diária rondou em um milhão, quatrocentos e vinte e oito mil barris por dia, com uma queda acentuada de produção.
A falta de investimento na exploração e a falta de novos projectos são a grande consequência para que hoje tenhamos este declínio de produção, porque não se tem novas reservas para substituir esta produção.
Portanto, prevê-se de 2019-2025 produzir cerca de 03 mil milhões de barris diários, na totalidade dos quais, o Estado apenas vai beneficiar cerca de 35 por cento, onde 20 por cento destes 03 mil milhões serão receita da concessionária, e 15 corresponderão aos impostos que serão pagos pelos investidores.
Para este exercício foi utilizado um preço de referência de 2019-2025 de aproximadamente 55 dólares por barril de petróleo.
Neste período a concessionária terá 614 milhões de barris indirectos, no que diz respeito aos impostos, serão equivalentes a 472 milhões de barris.
Estes 614 barris que a concessionária irá receber como directos corresponderão a 647 carregamentos, que teremos neste período de 06 anos e estes 647 corresponderão a 37 mil milhões 783 milhões de dólares de receita, para a concessionária.
De impostos, neste período de 06 anos a concessionária irá receber cerca de 26 mil milhões de dólares resultantes da actividade petrolífera.