A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) negociou, em 2018, um total de 790,8 mil milhões de kwanzas, através da oferta de Obrigações e Bilhetes do Tesouro.
De acordo com o “Dashboard” dos mercados, no ambiente bilateral foram negociados 226,2 mil milhões, ao passo que no multilateral foi negociado o valor de 564,5 mil milhões.
Em 2017, o total negociado foi de 525,1 mil milhões. No ambiente bilateral 230 mil milhões e no multilateral 295 mil milhões de kwanzas.
Para ter-se ideia da evolução deste segmento do mercado, em 2015, a facturação foi de 100,5 mil milhões. Em 2016, os dados revelam uma facturação de 366 mil milhões. Em 2017, foram 564,5 mil milhões e em 2018, 790,8 mil milhões, respectivamente.
Contudo, este indicador é encarado com algum pessimismo por vários agentes do mercado financeiro bancário e não bancário, porquanto os bancos começam a optar por financiar-se através das operações tituladas no mercado regulamentar ao invés de capitalização por via da concessão do crédito à economia com prioridade às empresas sobre as quais se incumbe a missão de gerar cada vez mais postos de trabalho.
Os dados disponibilizados na página de internet da Bodiva fazem ver que os títulos com a maturidade de 2020 são os mais procurados, seguidos dos de 2018 e 2019. Estes posicionaram-se, ligeiramente, a frente dos Títulos com maturidades a vencer em 2021, 2022 e 2023. Os de 2024 e 2025 são até aqui os de menor preferência, neste momento.
Conforme o relatório da Bodiva, os Bilhetes do Tesouro (BT) apresentaram-se com preços médios de 919 kwanzas ao passo que as Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis (OTNR) ficaram em 74,97 kwanzas. Já as Obrigações do Tesouro (OTCX) ficaram em 101,93 kwanzas.

Operações trimestrais
Durante o II trimestre de 2018, foram realizados 1.016 negócios nos mercados regulamentados sob gestão da Bodiva, movimentando um total de 240,3 mil milhões de kwanzas equivalente a 816,1 milhões de dólares, o que representa um aumento de 79,16% face ao período homólogo. O montante médio mensal de negociação foi de 80,11 mil milhões, sendo que, Agosto foi o mês em que registou o recorde de negociação em 2018, 96,65 mil milhões de kwanzas.
O número de negócios realizados face ao período homólogo registou um aumento de 290.64%, tendo sido realizados 1.336 negócios, cifrando-se a média mensal em 445.
Relativamente aos negócios realizados, por ano de vencimento, em comparação com os períodos passados, nota-se uma tendência para o aumento de negócios em títulos com maturidades residuais até 2 anos. Os títulos com vencimento até 2020 representam 70.94 % do montante negociado.

Maturidades
Tal como o montante negociado, o número de negócios encontra-se, também concentrado nas maturidades mais curtas, com especial realce para o ano de 2020.
Verificou-se assim que, os negócios realizados nas maturidades de 2018, 2019 e 2020, representaram, respectivamente, 9.45, 7.19 e 58.17, o que totaliza cerca de 75% dos negócios realizados.
No III trimestre, verificou-se a abertura de 1.998 contas de registo individualizado. Ao longo do período, o mês de Agosto contou com o maior número de novos registos, perfazendo um total de 6.344 contas activas, o que engloba as contas de carteira própria dos membros, contas de emitente, contas de regularização e contas de registo individualizado.
Foram efectuados depósitos de títulos do tesouro na ordem dos 101.787.134, sendo 99.940.787 BT e 1.846.347 OT, que em termos financeiros, representam um património na ordem dos 99,9 mil milhões de kwanzas e 538,5 mil milhões de kwanzas, respectivamente.
O III trimestre deste ano foi ainda marcado pelo arranque do Portal do Investidor, uma plataforma desenvolvida pelo Ministério das Finanças, que permite a venda de Títulos do Tesouro aos investidores por meio da internet.
Durante o período, foram liquidados 245 negócios, perfazendo um montante financeiro de 2,04 mil milhões de kwanzas e a liquidação física de 1.222.696 títulos.