A Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (BODIVA) transaccionou em Fevereiro, no mercado secundário, títulos da dívida pública no montante de 90,6 mil milhões de kwanzas, de acordo com o dasboard da entidade gestora dos mercados de bolsas retomado pela página do Ministério das Finanças (MINFIN).
O montante em observação, no mês mais curto do ano, quase duplicou o resultado do mês anterior, re?ectindo um aumento na ordem dos 76 por cento, e em comparação a igual período do ano passado aponta para um crescimento de 86.
Este aumento é explicado pelo crescimento do mercado secundário e reforça os sinais de con?ança que os investidores depositam neste segmento de bolsa, ao mesmo tempo que capitaliza o aumento da oferta de títulos, registada fruto do processo de regularização de atrasados levado a cabo pelo Executivo.
Quanto ao modelo de negociação, os investidores privilegiaram o modelo da melhor oferta, ao movimentarem 75 por cento do montante em causa (cerca de kz 68 mil milhões) por via da plataforma multilateral, cabendo os restantes 25 a negociações bilaterais.
O montante negociado pelos membros do mercado em Fevereiro, calculado pelo método de double counted (somatório das compras e das vendas), atingiu os 180,9 mil milhões, dos quais 84 por cento couberam aos agentes Standard Bank Angola, Banco de Fomento Angola e Banco Millenium Atlântico. Os registos da Bodiva apontam para a realização de 336 negócios distribuídos por todos os membros.
Com apenas 22 negócios realizados, o Standard Bank Angola foi o responsável por 41 por cento das compras e vendas efectuadas em Fevereiro, superando o Banco de Fomento Angola, que tem sido o membro mais activo (face ao montante transaccionado) nos últimos anos. Esta não é a primeira vez que o facto acontece: em 2018, o Standard foi o maior negociador por duas ocasiões, Abril e Novembro, porém, nos demais meses o BFA liderou o ranking das negociações.
Por sua vez, o BFA realizou em Fevereiro 149 negócios, tendo movimentado 44,8 mil milhões de kwanzas, isto é, 25 por cento do montante resultante da compra e venda dos títulos. Em termos de montante certamente não liderou, mas o volume de transacções foi o maior, representando 44 por cento das operações.
Já o Banco Atlântico foi responsável por 18 por cento do montante movimentado (cerca de 33,2 mil milhões de kwanzas) e é o terceiro membro mais activo no que diz respeito ao montante. No período em análise, realizou apenas 23 negócios, figurando em quarto lugar no ranking de negócios realizados.
A Bolsa de Dívida e Valores de Angola, enquanto Sociedade Gestora de Mercados Regulamentados, tem como missão promover o desenvolvimento do Mercado Regulamentado de Valores Mobiliários e Derivados, e desse modo, contribuir decisivamente para o financiamento sustentado da economia de Angola.

Títulos de Participação
As empresas públicas seleccionadas à privatização terão como alternativa para o seu financiamento os títulos de valor mobiliário de participação (acções), afirmou hoje, em Luanda, o director do departamento de política regulatória e normas da Comissão de Mercado de Capitais (CMC), Herlânder Diogo.
Segundo o responsável , que falava numa sessão de consulta pública, citado pela Angop, no âmbito do anteprojecto de Decreto Legislativo Presidencial dos Títulos de Participação, com a venda de títulos, as empresas serão financeiramente mais estáveis antes do processo de transição.
As acções (títulos de participação) são valores mobiliários tendencialmente perpétuos que conferem direito a uma remuneração com duas variáveis, uma fixa e outra variável.