São sete horas da manhã. As viaturas perfilam-se em ordem de chegada ao portão que dá acesso à “Cidade da China”, um dos maiores complexos comerciais chinês em Luanda, localizado no município de Viana, na avenida “Comandante Fidel Castro”, na via expresso, propriedade da empresa Hua Dragão Comercial.
A nossa reportagem teve acesso ao local às 7H30 minutos, altura em que começa a funcionar, sendo que para quem se faz transportar por uma viatura a revista é obrigatória. O condutor baixa o vidro e o segurança pede para abrir o porta malas do carro
para verificar a portabagagem.
“Não se chateie estimado cliente, só estamos a cumprir as regras de segurança do estabelecimento de modo a se evitar situações menos abonatórias dentro do recinto comercial”, adverte o segurança a um dos automobilistas que sentiu-se
irritado com a interpelação.
Apesar disso, no recinto é visível a satisfação daqueles que visitam pela primeira vez, ficam admirados com a dimensão e a diversidade de produtos disponíveis que procuram. Mas não imaginam a dimensão desta obra chinesa que dispõe de 16 naves distribuídas em 400 lojas, ultrapassando apenas o centro comercial “Ango-Chi Shopping” no Camama, no município de Belas que conta com 420 lojas.
Segundo informações da área comercial a renda mensal de uma loja ronda os 400 milhões de Kwanzas/ano, por cada 100 metros quadrados. Este valor não inclui a taxa de condomino, segurança, luz e energia.
Tendo em conta a sua dimensão, o espaço é assegurado por 40 seguranças dos quais 10 são cidadãos chineses.

Oferta de produtos
Para António Gomes morador do distrito do Zango, está a reformar a casa, por isso optou neste espaço a compra dos arcondicionado, lampadas, portas e janelas.
“É um projecto que surgiu para ajudar muitas famílias não só pela localização estratégica em que foi erguido, mas também pelo facto de num só espaço podermos comprar quase
tudo que precisamos”, explica.
Mónica Teixeira conta que recorre ao estabelecimento sempre alegando ter preços equilibrados e produtos com qualidade.
Referiu que compra balão de fardo de roupa e calçado para revender
no mercado dos Kwanzas.
A vendedora comprou um balão de roupa a preço de 30 mil kwanzas e espera ter uma margem de lucro
de pelo menos 10 mil kwanzas.
Já Maria Paulo, zungueira há três anos ressalta que desloca-se todos os dias ao centro comercial para comprar négocio. Com a bacia à cabeça carrega utensílios de cozinha, materiais dedáticos e outros
objectos que comercializa.
A comerciante reconhece que andar pelas ruas é cansativo e às vezes perigoso, mas adianta que “é a pensar nos meus filhos que enfrento as dificuldades todos dias”.
Já Isabel José, também vive o mesmo dilema porque separou-se do marido, daí a necessidade de alguém tomar as rédeas de casa como o fito de garantir o sustento dos três filhos.
“Comprar aqui é mais mais barato e comódo a julgar pelo número de lojas, deste modo, evita-se também as longas filas nos armazéns”, afirmou.

Postos de trabalho
Entretanto, a Cidade da China garante o sustento de muitas famílias, ao empregar muitos jovens locais. “Temos aqui jovens de todas as zonas de Luanda. Além do trabalho, recebem formação na áera de construção cívil, tendo em conta as obras que estão em curso no lado adjacente”, disse José Comba,
um dos encarregado de obra.
O jovem de 23 anos de idade revelou que o seu sonho é ser bombeiro, mas por enquanto “ganha o pão” como topográfo auferindo um salário mensal de 70 mil Kwanzas.
O JE constatou que na parte traseira do projecto estão os elementos nos quais a empresa aposta para destacar o empreendimento de todos os outros projectos semelhantes em construção em Luanda.
Estão em curso a construção de um hotel, apartamentos, casinos e bancos comerciais.