Os combustíveis poderão registar um aumento nos preços médios ainda este ano nos postos de abastecimento. Segundo relatórios da Sonangol, entre as razões está a necessidade da empresa supracitada em garantir para 2019 a sustentabilidade de um mercado totalmente liberalizado, com os combustíveis a serem a prioridade futura, para assegurar uma operacionalidade de 95 por cento da rede de postos de abastecimento da Sonangol.
De acordo com dados paralelos obtidos pelo JE, o litro da gasolina pode subir de 160 para 250 kwanzas. Porém em Janeiro de 2016 o preço já tinha sido ajustado de 90 kwanzas para 135 kwanzas o litro.
A Sonangol justifica esta eventual subida em resultado da depreciação que a moeda nacional sofreu nos últimos anos, pela não actualização dos preços de venda no mercado nacionale pelo aumento dos preços de referência nos mercados internacionais.
No ano passado, o FMI já havia estimado eliminar os subsídios que são actualmente absorvidos pela Sonangol e o preço da gasolina e gasóleo teriam de ser ajustados a 100 por cento.
Portanto, se esta recomendação fosse atendida, o preço do litro de gasolina em Angola teria de passar de forma gradual de 160 kwanzas para 320 kwanzas e o do gasóleo para 270 kwanzas.
Em resposta, a reportagem do JE apurou junto dos entrevistados, que o consumidor angolano não está preparado para esta eventual subida, alegando que o custo de vida poderá subir ainda mais e poderá causar muitos transtornos para a sociedade.
É assim que, para o operador de preços de Petróleo, Gervásio Macocondo, a subida do combustível é completamente reprovável uma vez que a situação económica do país já está bastante apertada.
“Isso não faz sentido. E penso que se nós não sairmos à rua para contestar, os preços vão continuar a subir, o que seria uma catástrofe para o cidadão”, afirmou
Por sua vez, João Peres, Operador de perfuração, disse que não se justifica os gestores angolanos subirem tanto o tarifário do país, porque os salários ainda não sofreram reajuste que justifique tal acto.
“Não justifica. O meu salário por exemplo não é actualizado há dois anos e não estou a ver como é que vamos sobreviver deste jeito”, lamentou.
O contabilista Domingos Parente, também lamenta a situação. Para ele se o combustível subir, poderá consequentemente subir também os bens e serviços de primeira necessidade.
“Eu acredito que se isso se efectivar, vai subir também o táxi, a cesta básica e vai criar muitos constrangimentos para nós da camada mais baixa”, afirmou.
Para Cilana António, casada, antes do Estado pensar em subir os combustíveis devia pelo menos acautelar a situação dos transportes públicos, para amenizar a frustração das pessoas que vivem na periferia.
“Agora, eu me pergunto: as pessoas que vivem por exemplo nas centralidades do Kilamba e Cacuaco, distante do seu local de trabalho, como é que vai ficar? Acho que antes de tomar qualquer decisão o Estado deve pensar nestes casos”.
O funcionário público, Jerónimo Mujinga reprova de igual modo essa iniciativa. Ele argumenta que, a maior parte dos cidadãos anda de táxi e essa subida só vai empobrecer ainda mais as famílias que já têm as suas contas mensais apertadas.
“O táxi neste momento são cento e cinquenta kwanzas e já gasto 12.600 kwanzas por mês, para ir e voltar do serviço. Agora, com esse possível aumento vou gastar quase metade do meu salário em táxi”, informou.
Dona Joana Maura é de opinião que o cidadão pacato não está estruturalmente preparado para aguentar mais uma subida de qualquer tarifário. Ela que é jurista de profissão argumenta que o consumidor angolano tem que ganhar o hábito de contestar quando se sente lesado, com uma decisão do Governo, “sob pena de vermos o custo de vida disparar aos nossos olhos”, disse.
“Está tudo a disparar. Subiram os saldos, o passaporte e agora a Zap. Ainda estamos na luta da adaptação e já vai subir o combustível. Não podemos continuar a aceitar tudo sem reivindicar”, afirmou.