O comércio bilateral entre a África e a China atingiu 72 mil milhões de dólares norte-americanos em 2007, ultrapassando os USD 10 mil milhões registados no ano 2000, segundo Chris Alden do Instituo Sul-Africano para as Relações Internacionais.

Chris Alden revelou esse dado quando palestrava na conferência Internacional “ A China em África” sobre o tema “ A China e os recursos naturais africanos: desafios e implicações para o desenvolvimento e a governação”, realizado segunda-feira, em Luanda, sob a égide do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola em parceria com o Instituto Sul-Africano para as Relações Internacionais

De acordo com o prelector, “as relações comerciais entre o continente africano e o gigante asiático têm crescido de modo contínuo e que nessa relação há um especial destaque para o petróleo, com Angola a assumir crescente importância”.

Além de Angola, o também professor da “London School of Economics” citou a Guiné-Equatorial, Sudão e Congo Brazzaville como sendo outros parceiros importantes da China no Comércio do Petróleo.

Segundo o orador, a África é um dos principais fornecedores da China de matérias-primas como petróleo, alumínio, ferro, cobre, manganês, chumbo e zinco, provenientes de Angola, Líbia, RDCongo, Gabão, Guiné-Equatorial, Nigéria, Sudão, Zâmbia Zimbabwe, Argélia e África do Sul.

Referiu também que a China tornou-se no maior consumidor de petróleo mundial e de outras matérias primas, tão necessárias para o seu desenvolvimento.

A fonte fez também uma incursão em torno do modo como a China financia os países africanos nessa relação bilateral, realçando que tem como garantia o fornecimento de petróleo (caso de Angola) ou a liberdade de exploração de minerais como o Colbato e o Manganês (casos da RDCongo e Gabão).

Frisou ainda que os contratos com a China prevêem a negociação de um pacote global e a incorporação de grandes quantidades de força de trabalho chinesa nos projectos de infra-estruturas para reduzir os riscos.

Quantos aos riscos, na óptica de Chris Alden, ambas partes (China-África) correm diversos, principalmente no tocante ao ambiente e a sustentabilidade da exploração dos recursos e a falta de transparência nas condições de alguns contratos que são elaborados.

A conferência visou ajudar os governos, os políticos, instituições, empresas e a sociedade civil a familiarizarem-se com as oportunidades e os desafios apresentados pela crescente presença da China no continente africano".

O evento discutiu em dois painéis, designadamente: "A China em África - Desenvolvimento e Desafios" e "A encruzilhada das relações sino-angolanas.

No primeiro painel " China em África foram abordados os temas "Desafios da Consolidação, O Contexto Económico de Angola, A China e os Recursos Naturais Africanos, os Desafios e Implicações para o Desenvolvimento e a Governação, As Instituições Financeiras Chinesas e África, A China e a Energia Solar no Quénia, e China: A arma de África para Quebrar a Hegemonia Ocidental".

No segundo painel foram tratados temas como "As relações China- Angola: o passado, o presente e os cenários futuros"; "O lugar da China na política externa angolana"; "O papel de Angola na política externa chinesa em relação à África"; "O Petróleo nas Relações China- Angola", e "O Meu Amigo Dragão - Instrumentos para um Relacionamento consciente e equilibrado com a China".