Com a crescente dificuldade em importar veículos automóveis, muitas representações de viaturas viraram o seu foco à importação de peças, acessórios e outros sobresalentes.
O grupo COSAL, por exemplo, distribuidor das marcas Mercedes, Mitsubishi, Hyundai, Subaru, Isuzu, Suzuki, Fuzu e Yamaha, apesar das dificuldades em pagar os fornecedores estrangeiros por falta de divisas, continua a manter as suas operações a nível dos pós-venda.
Segundo Nuno Guerreiro, director de peças, do grupo COSAL, faz tempo que a concessionária não importa viaturas para passageiros, mas somente, às de cargas e mistas.
“Tivemos de nos adaptar às condições actuais do mercado, por isso, apostámos nas viaturas de desenvolvimento e trabalho. Foi o reajuste possível que o grupo teve que fazer, a pensar no projecto de desenvolvimento, de forma a acompanhar o Executivo no processo de
diversificação ”, afirma.
O gestor disse ainda que, a aposta recaí, para o mercado de pós-venda de peças das marcas representadas. Por isso, segundo afirmou, as oficinas do grupo têm a responsabilidade de prestar todo tipo de serviço, e este reajuste fez com que aumentasse o número de entradas de viatura nas oficinas.
“Actualmente, temos um índice elevado de clientes e satisfazemos 80 por cento das necessidades dos nossos compradores, mas estamos ainda focados em manter as marcas que temos no mercado, para manter activa as linhas de produção nas oficinas e conservar os postos de trabalho”, frisou.
Nuno Guerreiro salientou por outrolado que os clientes que compram as peças e as montam nas suas oficinas beneficiam de seis meses de garantia.
O gestor assegura ainda que a importação de máquinas empilhadoras e escavadoras mostra nesse momento um ligeiro abrandamento, uma vez que o mercado de construção civil, principal cliente do grupo, não está a adquirir nada neste momento.

Toyota de Angola

A Toyota Angola lançou recentemente uma campanha de promoção dos seus serviços em oficinas. Apesar da medida abranger unicamente os veículos da marca, o processo é entendido como uma das formas encontradas pelo conselho de administração, para lidar com a fraca procura de viaturas e serviços de manutenção. Por exemplo, a manutenção de um Toyota Yaris custa 65 mil kwanzas, contra os anteriores 80 mil, e o Fortuner que se pagava 109 mil, hoje cobra-se 94 mil kwanzas.

Lojas de venda

Alguns automobilistas contactados pela nossa reportagem dizem que actualmente preferem comprar peças no mercado informal ou mesmo em casas de venda de peças do que nas representações, apesar de em alguns casos (nas casas de venda) correrem o risco de comprarem peças falsas, por serem de pouca durabilidade.
Esta pretensão recaí pelo facto de os materiais serem mais baratos em relação aos das concessionárias. A grande dificuldade reside na importação dos acessórios devido à escassez de divisas.
Em algumas lojas de venda, como é o caso da N'sumbo Comercial, constatou-se que um jogo de reparação de Hyundai i10, custa 45 mil kwanzas ao passo que em outros estabelecimentos como a Olivik Stand e Tchiambula Tungo Comercial o valor varia entre 25 e 30 mil kwanzas.
Na oficina do grupo Tchepongo (vulgo oficina dos chineses), os trabalhos efectuados pelos expatriados são feitos a preços competitivos, quando comparados aos demais prestadores de serviço.
Apesar da carência das peças nos estabelecimentos, o cliente acaba unicamente por pagar a mão-de-obra para a substituição das peças que efectuar no automóvel. Desta forma, a manutenção completa da Hyundai i10 custa dois ou três mil kwanzas, ao passo que o Kia Picanto fica em três mil e 500 kwanzas.
Não obstante os preços serem competitivos em muitos estabelecimentos e se registar uma fraca procura dos serviços, a oficina oferece variados serviços como reparação de motores, bate-chapas, pintura, diagnósticos, entre outros.
No momento, como diz o responsável da oficina Tchepongo, o grupo tem capacidade para atender cerca de dez carros/dia, mas hoje, a entrada de automóveis reduziu bastante.
Um diagnóstico do motor de um Hyundai i10 custa 10 mil kwanzas na Oficina Tchepongo e de Mitsubich L200, Toyota Fortunner, Toyota Hilux e Hyundai Santa Fé, tem o valor de oito mil kwanzas.
Para o Toyota Prado, Mitsubich Pajeiro e Toyota Land Cruiser o diagnóstico geral está avaliado em 40 mil kwanzas.

Automobilistas

Augusto Constantino disse que para a revisão da sua viatura adquiriu as peças na loja, salientando o alto custo das mesmas, o que se reflecte ao preço final da revisão do automóvel.
É de opinião que nas oficinas dos chineses, a mão-de-obra acaba por ser mais barata do que em outras oficinas. “Tenho um Kia Rio e compro as peças nas revendedoras, como a Gondoáfrica, e na oficina vou unicamente trocá-las e pago 5 mil pela mão-de-obra”, disse.
Nas oficinas dos bairros, o cenário não é diferente. Sandro da Fonseca, mecânico há mais de 10 anos, salienta que hoje ganhou mais clientes do que no passado, fruto dos preços praticados pelas representantes.
“Muitos clientes, hoje, não têm capacidade para comprar peças nas representantes e pagar a manutenção. Por isso, recebo muitos carros de várias marcas e modelos que anteriormente faziam manutenção nas representantes”, sustentou.
Afirmou que repara vários carros e os clientes acabam por trazer mais amigos em função dos preços.