O número de passageiros na estação do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB) na Comuna do Cunje, na província do Bié, tem aumentado diariamente.

Por causa do mau estado das vias que dão acesso às províncias de Benguela e Moxico, a partir do Bié, milhares de pessoas que circulam no centro do país, optam pelo comboio.
Muitas pessoas que pretendem viajar para as províncias de Benguela, Huambo e Moxico e têm como alternativa o comboio, que já é o principal meio de transporte no também conhecido corredor do Lobito.
O JE esteve na estação do CFB do Cunje, sete quilómetros da cidade do Cuito e constatou a enchente de passageiros à procura de bilhetes para as províncias de Benguela, Huambo e Moxico.
A nossa reportagem confirmou, que na estação do CFB, a frequência do comboio é às segundas, quartas e sextas-feiras, fazendo os troços Bié-Moxico-Luau.
Os bilhetes de passagem são comercializados um dia antes, devido às enchentes que se registam regularmente na estação do Cunje.
Em relação ao trajecto Bié-Huambo, o comboio de passageiros está disponível às quintas, sextas e sábados.

Preços atractivos

Os passageiros que se deslocam do Bié para o município do Lobito (Benguela), na terceira classe, pagam kz 1.500.
Em relação às crianças, dos cinco aos 17 anos, o JE, confirmou que o CFB estipulou a taxa de 50 por cento do valor do bilhete para qualquer rota no corredor do Lobito, que abrange as províncias do Bié, Moxico, Benguela e Huambo.
Os bilhetes de passagem das três classes do Bié-Moxico, são as mais elevadas devido ao mau estado das estradas que ligam estas duas localidades do país e também a distância entre ambas.
Nesta rota, os preços da passagem custam entre kz 2.450 e 7.350, , para a primeira, segunda e terceira classe, respectivamente.
Com uma extensão de 1.344 quilómetros, o CFB dava acesso à parte mais interior de Angola, a partir do litoral atlântico, e encontrava-se ligado aos sistemas ferroviários do Congo e da Zâmbia, com possibilidade de alcançar a cidade de Beira, em Moçambique, e Dar-es-Salaam, na Tanzânia, no oceano Índico, fazendo parte na altura de uma rede ferroviária transcontinental.
Em Novembro de 2001, a concessão de 99 anos ao consórcio CFB terminou, passando o caminho-de-ferro a pertencer ao Estado angolano, assim como todas as suas infra-estruturas associadas.
Em 2011, foi inaugurada a via entre as cidades do Lobito e do Huambo, e em 2012, foi reposta a integral circulação dos comboios em território angolano, um investimento avaliado em cerca de 1.8 mil milhões de dólares.

Procura dos serviços supera oferta

Devido à grande procura dos serviços dos comboios do CFB, centenas de passageiros pernoitam nas estações, para que no dia seguinte possam encontrar uma vaga. Adilson Alfredo, de 26 anos, natural de Cabinda é professor na província do Moxico.
À nossa reportagem, o professor disse que “não tem sido fácil circular semanalmente de comboio”.
O professor do ensino secundário esclareceu que conseguir bilhetes para o Moxico é muito difícil tendo em conta o número de comerciantes que levam grandes quantidades de produtos diversos.
O jovem disse que  participou no último concurso da educação no Moxico em 2018, e está a residir no Luau há um ano. Conta que por causa do emprego e porque queria viver uma experiência diferente de Cabinda, optou pela província mais a Leste do país.
Contou que o “único” meio de transporte existente, cómodo e barato, para chegar ao Moxico, é o Comboio.
Licenciado em Direito, Adilson Alfredo entende que “ quem tem competências profissionais não tem receio em trabalhar em qualquer localidade do país.
“Tive que dormir na base da transportadora Macon, no Cuito para conseguir vaga no comboio de passageiros para o Moxico”, disse.
Antónia Cassinda, comerciante de 37 anos, disse que leva para o Moxico, vários produtos do campo porque as coisas “lá são difíceis”.
“Faço negócio de tomate, cebola, legumes e peixe seco”, disse a comerciante, tendo aproveitando a oportunidade para revelar que os preços que paga para transportar a sua mercadoria são elevados.
A comerciante pede à Direcção da empresa pública de transporte, CFB, no sentido de rever os preços, para, segundo adiantou facilitar as trocas comerciais, medida que vai contribuir para o aumento da renda das pessoas e desenvolver o país.

Especialistas estudam CFB

Uma equipa multidisciplinar do Instituto Superior Católico de Benguela (ISPOCAB) realiza desde a semana passada um inquérito ao longo do ramal do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), com vista a avaliar a viabilidade do processo de transportação de pessoas e bens por essa via.
Em declarações à Angop, no Cuito, capital da província do Bié, após uma paragem na Estação do Cunje, o coordenador da caravana, Isaac Samoma, disse que a equipa é composta por 32 especialistas de diversas áreas do saber.
Com destino ao município fronteiriço do Luau, província do Moxico, até chegar à meta, poderão passar por 67 estações construídas pelo Governo ao longo deste corredor.

Explorar oportunidades

Sem avançar a duração do inquérito, disse que o objectivo é identificar as fraquezas, forças, ameaças e as oportunidades existentes na linha, com vista a fazer o levantamento dos aspectos sociais, económicos e ambientais que o CFB oferece às comunidades.
São ainda parte dos objectivos do estudo, a avaliação do processo erosivo, que causa ravinas ao longo do ramal, custo dos bilhetes, frequência das locomotivas, aspectos que serão apresentados durante o congresso da instituição que será realizado em Outubro próximo.
Integram a comitiva, docentes de diversas especialidades como engenheiros mecânicos, topógrafos, cartógrafos, ambientalistas, hidrogeológicos, mestres em finanças, comunicólogos, contabilistas, sociólogos e politólogos, entre outros.