O ano de 2016 começou intermitente para as negociações petrolíferas tal como acabara o anterior. Os mercados das commodities ressentiram de algum excesso da oferta petrolífera e a queda inevitável dos preços fez tremer as economias dos países produtores e dependentes dos recursos provenientes desse segmento económico.
A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), através dos seus 14 membros, desdobrou-se em contactos com outros produtores não associados, sobretudo com a Rússia devido ao peso da sua intervenção política e militar no domínio internacional.
A busca pelo preço ideal, posicionado pelas agências e outros especialistas no patamar dos 60 dólares por barril, era miragem para uns e um marco alcançavel para os outros. Mas tal foi a queda dos preços, que o barril experimentou a maior baixa das últimas décadas. Atingiu os 22 dólares e dali pouco ou nada subia até que o cartel Opep decidiu, na primeira semana de Dezembro deste ano, cortar em bloco na produção. Dessa medida resultou o actual cenário de preços acima dos 50 dólares, após mais de 15 meses abaixo dessa cifra, mas com o olhar bem de perto a fasquia dos 60, que é o preço pretendido nessa fase.

Opep e parceiros
Apenas cinco de 14 produtores fora da Opep concordaram com o grupo face ao objectivo de cortar na produção, entre eles, a Rússia, o México, o Cazaquistão, o Uzebesquistão e o Omã. Ao todo, eles cortaram 600 mil barris/dia (bpd). Só a Rússia cortou metade.
No caso da Opep, a excepção dos cortes ficou para Nigéria e Líbia, uma vez que estes países tiveram sua produção interna parada por avaria
durante algum tempo.
Os países que lideram os cortes de produção são a Arábia Saudita (486 mil bdp), Iraque (210). Os Emirados Árabes cortam 139 mil bpd, enquanto o Kuwait 131 mil. Completam a lista Qatar (30 mil), Venezuela (95), Argélia (50), Equador (26), Angola (87) e Gabão (9).
Após meses de negociação, os representantes da Opep conseguiram o histórico acordo de na produção dos Estados, num esforço para dar sustentação aos preços e reassegurar a influência do cartel em meio a um mercado cada vez mais dominado pelos Estados Unidos,
a Rússia e outros países.
O cartel concordou, deste modo, em cortar a produção em 1,2 milhão de barris por dia, garantido uma oferta mensal dea 32,5 milhões.

ANGOLA VOLTA LIDERAR

A produção petrolífera em Angola alcançou, neste ano de 2016, uma média diária de 1,775 milhões de barris, colocando o país como o maior produtor africano de petróleo, superando a Nigéria, cuja produção está fixada em 1,468 milhões. A meta de produção obtida por Angola representa 90 por cento das exportações, 50 PIB (produto interno bruto) e 80 dos seus rendimentos de impostos. Os 1,775 milhões de barris por dia reflectem sobre o aumento na produção de 8.800 diários, face ao mês de Junho deste ano.
Para comprovar a tendência crescente, Novembro teve um valor especial, tendo sido Angola o terceiro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que registou um incremento na produção.
Em Novembro, a produção angolana foi de 24,4 mil barris por dia, a par do Kuwait, que produziu mais 25,9 mil, mas longe da subida da produção iraquiana, que verificou um acréscimo de 247,5 mil barris diários.
A aceleração imprimida na produção interna de petróleo não encontrou uma  correspondência no preço de venda no mercado internacional, onde o valor do barril de petróleo, na referência para as exportações angolanas, se situava, em média, no mercado de futuros de Londres, em 45,93 dólares.
Em menos de dois anos, o país viu o barril exportado passar de mais de 100 dólares para vendas médias, no I semestre deste ano, para 36, segundo dados do Ministério das Finanças.