A cotação das acções do Facebook Inc. FB -1.33 por cento subiu, nesta semana, na bolsa Nasdaq, num sinal de que os possíveis benefícios antevistos na compra do aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp superam o valor salgado do negócio: 19 mil milhões de dólares (1,8 triliões de kwanzas), conforme noticia o americano Wall Street Journal.

“O preço da aquisição provavelmente será um choque para muitos investidores”, disse Jordan E. Rohan, analista da correctora Stifel Nicolaus. Os investidores actuais terão ainda a participação reduzida em oito por cento, já que o Facebook está a fazer parte do pagamento em acções, segundo acrescenta.

Ainda, assim, e de acordo com o Wall Street Journal, a acção do Facebook, que chegou a cair 3,4 por cento, no início da semana, fechou com alta de 2,3, para 69,63 dólares (6.800 kwanzas).

O negócio, que inclui três mil milhões de dólares em acções restritas a serem concedidas ao longo de quatro anos aos fundadores e funcionários do WhatsApp, é o maior já realizado por uma empresa financiada por capital de risco. Além de tirar o aplicativo do alcance de concorrentes como o Google, GOOG +0.61 por cento, ele pode impulsionar a popularidade do Facebook entre os jovens e o seu crescimento nos mercados internacionais e em aparelhos móveis.

“A compra do WhatsApp dá ao Facebook uma posição sólida no sector de mensagens móveis, que acreditamos ser uma parte vital da missão da empresa de conectar o mundo”, disse Doug Anmuth, analista do J.P. Morgan JPM -1.75 por cento.

A aquisição do WhatsApp — cujo aplicativo funciona nos smartphones como uma alternativa para as mensagens convencionais —supera a de qualquer outra empresa novata, inclusive a do aplicativo de compartilhamento de fotos Instagram, que o próprio Facebook comprou por mais de mil milhões de dólares (97 mil milhões de kwanzas) em 2012, e a do serviço de chamadas de vídeo Skype, adquirido pela Microsoft MSFT -0.40 por cento por 8,5  mil milhões de dólares (827 mil milhões de kwanzas) em 2011.

Valor do WhatsApp
O negócio coloca o valor do WhatsApp, uma empresa com 55 empregados, acima dos de 275 companhias que compõem o índice de acções S&P 500, e analistas alertam que os investidores não devem usar os métodos usuais para avaliar a compra.

“É difícil avaliar esse negócio com base na métrica tradicional de lucro e receita, dado que o WhatsApp ainda está em estágio inicial de crescimento”, diz Shyam Patil, analista da firma de serviços financeiros Wedbush.

Não está claro quanto o WhatsApp factura e a empresa não quis comentar sobre sua receita. Ela cobra 0,99 dólares por um ano pelo uso irrestrito do aplicativo e não veicula anúncios. Em uma teleconferência, o director-presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, disse não acreditar que anúncios sejam o meio certo de monetizar sistemas de mensagem.

Os analistas sugerem que a aquisição seja avaliada em termos de quanto o Facebook está pagar por cada usuário do WhatsApp. Ainda assim a análise pode ter resultados conflitantes.

Pagar por usuário
O Facebook está a pagar cerca de 36 dólares por cada um dos 450 milhões de usuários do WhatsApp, mais que os nove dólares por usuário que a empresa japonesa de comércio electrónico Rakuten pagou este mês pelo serviço de mensagens Viber Media Inc., dizem analistas. Mas ainda é muito menos que o valor de mais de 130 dólares (pouco mais de 12 mil kwanzas) que o mercado acionário atribuiu a cada usuário do Facebook, LinkedIn e Twitter TWTR -1.49 por cento.

“Para colocar a aquisição do WhatsApp em outra perspectiva, o preço de 36 dólares (3.500 kwanzas) por usuário do Facebook pelo WhatsApp é bastante semelhante aos 33 dólares (3.200 kwanzas) por usuário que eles [o Facebook] pagaram pelo Instagram”, diz Rohan. “Apesar de muitos investidores terem sido contra o valor pago pelo Instagram na época, hoje a compra é considerada um aquisição presciente devido à utilização e monetização das capacidades da plataforma”.

Analistas também ressaltam o rápido crescimento do Whats App e seu potencial de atingir os mil milhões de usuários, algo que Zuckerberg prevê que ocorra em poucos anos. “Embora a monetização vá levar tempo, acreditamos que o tamanho potencial da base de usuários e o forte engajamento no WhatsApp deve, no final, gerar uma monetização significativa” diz Arvind Bathia, analista da corretora Sterne Agee.