Estudos internacionais apontam que até 2014 existirão 15 milhões de utilizadores de telemóveis representando um aumento de cerca de 90 por cento em relação aos números actuais

O crescimento dos serviços de telefonia no país, sobretudo móveis, revela-se como um autêntico fenómeno à escala mundial, se comparado aos números que o sector controlou até 2001, altura em que o Estado procedeu à quebra do monopólio dos serviços pela Angola Telecom, operadora estatal. Nesta altura, o Governo permitiu o surgimento de uma rede privada no segmento de telemóveis, a Unitel, e, mais tarde, em 2003, concedeu autonomia à Movicel (detida pela Angola Telecom) para operar como empresa independente.

Hoje, passados cerca de oito anos, os números de usuários dos serviços são assustadores e juntam-se às previsões de analistas internacionais, que apontam a cifra de 15 milhões de telefones móveis até ao ano de 2014, superando em cerca de 90 por cento os actuais cerca de oito milhões.

Na sua recente abordagem sobre as previsões do sector, a revista Exame, edição Angola, avançou que o investimento da Unitel, aprovado em Junho, para os próximos dois anos, é de 800 milhões de dólares, integralmente financiado por fundos próprios, e destina-se a melhorar o acesso dos clientes aos novos serviços de terceira geração (3G), ao nível mais rápido da internet, da vídeochamada e MMS. De uma forma objectiva, a Unitel propõe-se cobrir com os seus serviços os 164 municípios que compõem as 18 províncias de Angola. Por sua vez, a Movicel vai investir em infra-estrutura, que inclui a sua completa transição da tecnologia CDMA (Acesso Múltiplo por Divisão de Códigos) para o GSM (Sistema Global para Comunicações Móveis), até 2012, uma cifra avaliado em 100 milhões de dólares.

Avaliação

A Exame, citando um estudo da Informa Telecoms & Media, situou em 71 por cento a quota de mercado da Unitel, restando os 29 outros para a Movicel, tendo mesmo também justificado que a actual tecnologia da Movicel, a CDMA, permite-lhe apenas gerir em simultâneo 30 mil ligações, contra as 50 mil da Unitel, que utiliza os serviços do GSM.

Todos estes indicadores, divergentes nuns e convergentes noutros com os pronunciamentos oficiais das autoridades do sector em Angola, caso do Inacom, que representa o Ministério das Telecomunicações, neste segmento, levantam como principais desafios a melhoria dos serviços. A intenção é integrar, ou como diriam os especialistas em tecnologias, colocar em “on-line” toda a população angolana e desenvolver uma autêntica inclusão tecnológica dos angolanos.

Planos de fidelização

As operadoras dos serviços de telemóveis no país apresentam no seu “modus operandi” de mercado diversos pacotes de fidelização dos clientes. Estes programas consistem em apresentar facilidades, ainda que não o sejam na totalidade, aos usuários dos seus produtos e serviços.

Os estudos apontam que os clientes utilizam os cartões de recarga, com 99 por cento de recurso, como serviço preferencial de recarregamento dos seus telemóveis. Daí que ajustar os planos de recarga ao seu público continua a ser outro dos grandes desafios para as duas operadoras de serviços de telemóvel.

Em termos de clientes por operador, os números são incertos, mas a Unitel avança para si cerca de 5 milhões, deixando os outros aproximadamente três milhões para a Movicel. Estes números parecem reflectir a situação de mercado das operadoras, e no estudo avançado pela Informa Telecoms & Media, a Unitel aparece com facturações a rondarem os 420 milhões de dólares/ano.

Visão Unitel

A Unitel, por exemplo, para facilitar os recarregamentos, lançou como pioneira o pacote tarifário pré-pago, isto é, o cliente paga antes um determinado valor em serviço, que só depois o usufrui, através do cartão de recarga. Neste serviço, o cliente recarrega o seu telemóvel directamente, depois de adquirir nos revendedores e agentes oficiais a respectiva unidade de recarga. Consistentemente, apresentou outras opções de recarregamento, como o pós-pago empresa, um serviço em que a empresa-cliente, durante um dado mês efectua chamadas mediante um crédito em Unidade de Taxa de Telecomunicações (UTT), definido por este para o mês seguinte; o Pós-pago Prestígio, onde o cliente individual adere a um “plafond” definido no contrato de adesão, e que lhe permite efectuar ligações, mediante o valor da UTT definido para o referido mês; e o Corporate, que permite ao cliente efectuar as suas comunicações mediante um crédito em UTT, que este define para o mês seguinte.

No capítulo das chamadas, esta operadora oferece chamadas gratuitas para os terminais de serviços de emergência, como bombeiros (19 115), polícia (19 113) e mais recentemente inclui no seu pacote de dados ou mensagens o serviço Liga Só, que consiste em escrever gratuitamente 10 mensagens diárias com o número que pretende que lhe ligue e enviar para 0 19112.

O grande calcanhar de Aquiles, nesta operadora continua a ser para muitos clientes o facto de a recarga mais baixa (125 UTT) estar avaliada em 900 kwanzas, o que em outras épocas equivalia a 10 dólares, para cerca de uma hora e meia (90 minutos) de conversação.

A Unitel controla uma rede de 5.857 agentes, 23 lojas próprias, sendo oito para grossistas e 15 para retalhistas e 1 call center, serviço de apoio aos clientes.

Visão Movicel

Depois de separada da Angola Telecom, o que empreendeu um extenso programa de privatização, a operadora do famoso indicativo 091 persegue agora uma adaptação dos seus serviços às necessidades do público, e passagem da tecnologia CDMA (Acesso Múltiplo por Divisão de Códigos) para o GSM (Sistema Global para Comunicações Móveis), representa mesmo este interesse.

Os clientes desta operadora encontram na recarga de 50 UTT, vendida a 375 kwanzas, um escape para quem entre falar e poupar, procuram sempre encontrar o meio-termo. Estes também podem enviar 10 mensagens escritas, cujos descontos são efectuados após novo recarregamento do seu telefone.

A Movicel controla uma rede 80 agentes, 20 lojas próprias e 1 call center.

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