As previsões de estudos a curto prazo do Fundo Monetário Internacional (FMI) demonstram que o crescimento na África subsahariana deverá permanecer estável, sendo que em 2019 prevê-se um crescimento de cerca de 3,2 e 3,6 por cento em 2020. A informação foi prestada pelo representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Angola, Marcos Rietti Souto, recentemente, em Luanda, quando falava à margem da apresentação do relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsahariana. De acordo com Marcos Rietti Souto, os países africanos ricos em recursos minerais, como é o caso do petróleo, devem criar políticas de resiliência, para enfrentar os choques do mercado internacional, para tornarem sustentáveis as suas economias. Informou ainda, que no caso de países pobres em recursos naturais, o PIB per capita está a crescer a um risco sustentável e mais acelerado, ao passo que em relação aos países ricos em recursos, o mesmo crescimento poderá continuar lento. “A história de crescimento da região mudou muito pouco desde 2016, e isso pesa no desempenho global de crescimento da região. Daí a necessidades de implementação de reformas, como aquelas que Angola vem fazendo, vão permitir atrair investimento estrangeiro directo e promover um crescimento económico sustentável inclusivo”, afirmou. Apesar destes dados bastante animadores, é notória ainda o facto de a economia angolana crescer abaixo da média da Região. Ainda assim, os vários indicadores assumidos pelos especialistas fazem crer que, no curto prazo, Angola deverá ajustar-se às expectativas de crescimento de África.

Moçambique colhe bons exemplos

O governador do banco central de Moçambique disse que Angola está a liderar a área de reformas políticas e é um exemplo de boa governação no continente. Para ele, as reformas numa economia requerem  muita coragem, pois há interesses já cristalizados e esse processo de reforma requer coragem para ir contra. “Eu felicito  o Governo de Angola, porque as reformas vão tornar Angola num país com uma economia mais diversificada, inclusiva, eficiente e produtiva, que gera emprego e rendas para a maioria da população”, afirmou. Afirmou que os países africanos, sobretudo os ricos em recursos naturais, estão com problemas e a enfrentar desafios enormes na economia, porque por várias décadas registaram crescimentos  robustos, aparentemente sustentáveis, e muito provavelmente esse bem estar estava ligado ao comportamento dos preços das mercadorias.”  Mas quando olhamos as projecções, desde os projectos e perspectivas a media a curto prazo, não são muito boas”. Chamou atenção a economias que tendem a crescer com o investimento público e de financiamento por poupanças privadas e externas, por se tornarem situações insustentáveis a médio e longo prazos. Para o governador, a dívida tem que ser feita para fortalecer as economias, para quando chegar o momento de servir a dívida  termos capacidade de pagar. “A dívida não é necessariamente negativa, desde que seja sustentável e usada para fins produtivos. O problema da dívida é, quando é usada para consumo e para actividades que não geram retornos financeiros para devolver o dinheiro. Portanto, não é a dívida em si, mas a forma que é usada”, afirmou. Aconselhou ao Governo angolano investir na promoção da poupança doméstica para gradualmente substituir a poupança externa pela doméstica. VI