Os 20 mil barrís de petróleo/dia que Angola comprometeu-se dar ao Brasil para assegurar o financiamento e seguro de crédito de dois mil milhões de dólares podem representar em quatro anos (até 2022) uma oferta de pouco mais de 29 milhões de barrís ao parceiro sul-americano. Face ao preço médio previsto pela Opep, para o ouro negro, que deverá oscilar entre 68 - 75 dólares, pode-se deduzir que Angola vendeu por antecipação de 4 anos e fora dos mercados tradicionais o que poderia em médio prazo representar uma receita de pouco mais de 2,17 mil milhões de dólares. O acordo prevê ainda que o saldo final será devolvido a Angola. Atendendo ao custo actual do dinheiro no mercado interno ou externo, pode-se admitir ter sido uma jogada de mestre, a decisão angolana de antecipar venda e embolsar garantias que poderão no tempo previsto representar mais-valia às finanças públicas, pois o país recebe serviços e produtos sem com isso desembolsar recursos vivos. A acção alivia a pressão às Reservas Internacionais Líquidas. O contabilista Júnior dos Reis entende que “o Governo terá feito bem as contas, como sói dizer-se, fez antes os trabalhos de casa, para entrar numa negociação de tal grandeza e claramente assumiu os riscos, pois tem sobre si a vantagem de a exploração petrolífera ser das operações de elevada credibulidade nos mercados internacionais pelo facto de ser a commoditie ainda de maior procura”. Júnior dos Reis entende que o protocolo de entendimento rubricado entre os dois Governos e que estabelece os critérios de concessão tem vantagens para as partes e, atendendo as necessidades de tesouraria e apoio às iniciativas que valorizem a produção nacional, foi medida bem tomada.

O que diz o acordo?
O acordo prevê uma “exposição adicional” do Estado brasileiro, de dois mil milhões de dólares, para garantir o seguro do financiamento de exportações de bens e serviços do Brasil para Angola. “Caberá ao Governo de Angola indicar as operações que serão analisadas pelo Governo brasileiro”, refere o mesmo documento, acrescentando que também o financiamento bancário a essas exportações será garantido “em condições financeiras específicas”.
Em contrapartida, segundo o acordo, “a República de Angola compromete-se a manter o fluxo financeiro relativo ao fornecimento anual de 20.000 barris/dia de petróleo bruto, distribuídos num carregamento, preferencialmente, a cada 45 dias, perfazendo dois carregamentos trimestrais”.
O retorno destas entregas será gerido pelo Banco do Brasil, na qualidade de agente desse país.