Dois actores inusitados estão a mexer com o futuro do mundo mineiro global: uma empresa e a China, mas muitos mais estão atentos ao movimento e tendência actual.
A empresa canadiana Nautilus, foi a primeira empresa do mundo a extrair minério do fundo do mar, ao passo que a China está a constituir-se em manchete mineira por ser a nação que quer liderar as operações neste segmento.
Com efeito, é provável, caro empreendedor, que a China se torne mesmo o primeiro país do mundo a começar a explorar minerais do fundo do oceano, se tomarmos em atenção as afirmações recentes do líder da Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos (ISA).
A possibilidade coloca-se no caso de as regras internacionais de exploração serem aprovadas em Julho do próximo ano, dando acesso, no mar, às reservas de níquel, cobre e manganês, que podem ser usadas em telefones inteligentes(smartphones), baterias de carros eléctricos e muitos outros dispositivos.
A ISA já assinou 30 acordos com governos, organizações de pesquisa e empresas para explorar o fundo do oceano, também chamado de fundo do mar. A China assinou cinco desses acordos.
“Acredito que a China possa estar facilmente entre as primeiras (a começar a explorar)”, disse Michael Lodge. Ele é o secretário geral da ISA que visitou a China recentemente. “A procura por minerais está a aumentar ... não há dúvida sobre o mercado”, acrescentou.
A atracção é óbvia. A Terra é rodeada de uma enorme massa de água. Essa água divide-se em oceanos, mares, lagos, rios, águas subterrâneas. As águas dos oceanos e mares correspondem a cerca de 70 por cento da área do planeta.
Uma análise do Leste do Oceano Pacífico - uma área de 5,0 milhões de quilómetros quadrados conhecida como zona Clarion-Clipperton - concluiu que mais de 27 biliões de toneladas de nódulos poderiam estar misturadas à areia.
Essas pedras poderiam conter 7 biliões de toneladas de manganês, 340 milhões de níquel, 290 milhões de cobre e 78 milhões de cobalto - apesar de ainda não se saber o quanto disso é acessível.
A tendência reforça estudos anteriores.
Para que o empreendedor tenha melhor ideia, as primeiras expedições dedicadas à explorar as profundezas dos oceanos ocorreram nas décadas de 1960 e 1970.
Nessas ocasiões foram descobertos no Pacífico Norte, nódulos de manganês ricos em cobalto, cobre e níquel. A descoberta, porém, ficou apenas no nível científico em virtude de dois factores básicos, um político e um tecnológico.
De início, não havia um acordo abrangente sobre qual área da plataforma continental pertencia a determinado país e, em consequência, onde começavam as águas internacionais.
As respostas a essas questões só avançaram com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, que estabeleceu os princípios gerais da exploração dos recursos submarinos.
Outra dificuldade foi a dos enormes custos gerados por um instrumental ainda precário para essa tarefa. Mas a evolução tecnológica e a procura crescente por esses recursos estão a tornar a relação custo-benefício mais favorável às empresas de exploração mineira.
Hoje em dia, praticamente todos os minerais e pedras preciosas são explorados no oceano. Nove entre dez diamantes extraídos actualmente vêm do mar que banha o litoral da Namíbia e da África do Sul.
No início deste século foram encontrados nas profundezas grandes depósitos de sulfetos polimetálicos, cuja composição inclui ouro, prata, cobre, ferro e zinco.
Entre nós, a preocupação ainda não está a ser levantada.