O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Gaspar Martins, admitiu vender alguns activos directamente, “caso as condições o permitam”, e sublinhou que o aumento das participações da petrolífera angolana na Unitel e no Banco Económico visam preparar a venda para “um momento aceitável”.
A Sonangol está a preparar concursos públicos para a alienação de 11 activos e, nesse quadro, Gaspar Martins adiantou que há uma concertação em curso com a entidade que gere o programa de privatizações (Propriv), no sentido de “alguns deles poderem ser alienados directamente”.
“São parceiros que acabam por ter um direito de preferência e faz todo o sentido que esta alienação possa ser feita” dessa forma, considerou, na conferência de imprensa de 27 de Fevereiro, o PCA da petrolífera angolana.
Desta lista fazem parte um conjunto de entidades ligadas aos grupos Sonamet, Sonils, Sonatide, Sonadiets, Painal, Petromar, Base do Kwanda, no Soyo (Zaire) e ainda o Banco Angolano de Investimentos (BAI), onde a petrolífera detém participações variáveis.
O programa de privatizações (Propriv), lançado pelo Governo em Agosto de 2019, prevê a venda de cerca de meia centena das participações da Sonangol e a dispersão em bolsa de 30 por cento do capital da petrolífera, até 2022.
A nível de desempenho financeiro, Gaspar Martins afirmou que a redução “considerável” dos custos operacionais permitiu à Sonangol fechar as contas de 2019 com um EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) positivo da ordem dos 5,4 mil milhões de dólares (4,9 mil milhões de euros) e apresentar proveitos de 12,5 mil milhões de dólares (11,4 mil milhões de euros).
A dívida financeira total ascendeu a 5.034 milhões de dólares, ou seja, mais 13 por cento do que em 2018, reflectindo o valor do empréstimo de dois mil milhões de dólares, a que a Sonangol recorreu junto da banca internacional para adquirir a participação da Oi na Unitel e financiar outros projectos.