As encomendas de petróleo para entrega no mês de Outubro iniciaram ontem em baixa nos mercados internacionais, ainda que dentro da já tradicional casa dos 50 dólares.
No caso do brent, petróleo de referência às exportações angolanas, por cada barril (medida de cerca de 126 litros) eram pagos 52,52 dólares, depois de na sessão anterior (quarta-feira) terem sido feitas as encomendas com o preço de 52,57.
Embora a diferença seja de apenas cinco pontos percentuais, a notícia de queda nos preços mais do que ajudar atrapalha, pois o que têm em vista os países produtores, sejam membros da Opep ou outros de fora, é de um preço médio que se estabilize nos 60 dólares por barril.
O quadro cronológico de preços do brent, em Agosto, fixa um mínimo de 50 dólares atingido no início do mês, mas que ao longo dos dias foi-se flutuando entre os 50 e os 52 dólares, respectivamente.

Medidas da Opep
Nos medias internacionais, que acompanham as negociações dos futuros, os dados dão conta de que os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa na segunda-feira (21), bem no arranque da semana, pressionados pela expectativa de crescimento da produção americana e com os investidores atentos a uma reunião técnica da Organização dos Países Exportadores e Petróleo (OPEP) e de outros grandes produtores.
Um movimento de realização de lucros, após a forte alta da semana anterior, também contribuiu para a queda nos preços da commoditie.
Na New York Mercantile Exchange (NYMEX), o WTI para Outubro fechou em queda de 2,32 por cento, a 47,53 dólares por barril. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para o mesmo mês recuou 2,01, a 51,66 por barril.
As agências internacionais explicam que o dólar mais fraco e a interrupção das operações do maior campo petrolífero da Líbia também foram deixados de lado, assim como a comunicação do ministro da Energia do Kuwait, Essam al-Marzouq, que afirmou que o “stock” americano está a cair mais do que o previsto, num claro sinal do “sucesso” que está a representar o acordo de corte na produção dos membros da Opep.
“Os fundamentos do mercado de petróleo continuam a sofrer por agora, já que a produção dos EUA continua a avançar e a Opep, até agora, falhou ao tentar oferecer suporte ao mercado por meio de suas decisões”, disse Tyler Richey, editor do Stevens Report, citado pela publicação especializada do Brasil, a Exame.com.

Segue o optimismo
Os membros da Opep estiveram reunidos na segunda-feira, em Viena - Áustria. O objectivo foi o de reforçar o acompanhamento do acordo de redução na oferta feito em Novembro de 2016 e que contou com um forte apoio da Rússia, que é neste momento dos maiores, senão mesmo o maior, produtor mundial.
Entre os operadores, circularam relatos de que a conformidade da Opep em Julho foi de 94 por cento, no mesmo nível de Abril.
No fim do mês passado, o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, afirmou que a conformidade do pacto estava muito próxima a 100 por cento.
Neste ano, o cartel e outros 10 produtores de petróleo, que não pertencem ao grupo, se comprometeram a reduzir a sua produção combinada em 1,8 milhão de barris por dia até, pelo menos, Março de 2018.
No entanto, aumentos da produção de países como Líbia e Nigéria, que foram isentos do pacto inicialmente, também comprometem o cumprimento do acordo.

O cartel Opep
Criada em 14 de Setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objectivo a centralização da elaboração das políticas sobre a produção e a venda do petróleo dos países integrantes.
Actualmente, os países membros da Opep são Argélia, Angola, Equador, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Venezuela. A Indonésia suspendeu a sua adesão em Janeiro de 2009. A sede da Opep está localizada em Viena, capital da Áustria.
Os fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo foram o Irão, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela, durante a Conferência de Bagdá. Posteriormente, outros países integraram a organização.