Os empréstimos bancários para empresas na Zona Euro caíram em Abril, levando a quase dois anos de retracção e indicando que a escassez de crédito ainda prejudica a recuperação económica na região da moeda única.

Os dados também mostraram que o crescimento da oferta monetária diminuiu no mês passado, enquanto outros dados divulgados separadamente revelaram que o número de desempregados alemães subiu inesperadamente em Maio e os consumidores franceses gastaram menos em Abril.

Levando tudo em consideração, os dados apresentados sugerem que a economia da Zona Euro provavelmente não deve crescer muito mais rapidamente no segundo trimestre do que cresceu no primeiro, confirmando expectativas de que o Banco Central Europeu vai anunciar políticas de estímulo em Junho.

Pronto a agir
Em visita ao Tóquio, Yves Mersch, membro do Conselho Executivo do BCE, disse que o órgão está pronto para agir neste mês.

“O conselho sente-se confortável para agir tanto por meio de medidas convencionais como não convencionais”, disse ele em entrevista a um grupo de jornalistas estrangeiros. Esse sentimento é compartilhado “unanimemente” entre os 23 integrantes do Conselho do BCE, incluindo ele próprio, acrescentou. Os dados divulgados pelo BCE mostram que os empréstimos bancários a empresas recuaram em 7 mil milhões de euros (pouco mais de nove triliões de kwanzas), dando prosseguimento à queda de quatro mil milhões (seis triliões) registada em Março e de 13 mil milhões (15 triliões) em Fevereiro. Embora parte desse declínio possa ser um reflexo da fraca demanda por parte das empresas que ainda precisam de convencer-se de que a recuperação será forte o suficiente para justificar uma alta nos investimentos, os formuladores de políticas acreditam que há impedimentos para a oferta de crédito, já que o sistema financeiro continua o lento processo de recuperação que se seguiu à crise financeira global e às subsequentes dificuldades no Sul da Europa e outras partes da Zona do Euro.

No início desta semana, o presidente do BCE, Mario Draghi, destacou que a fraqueza no mercado de crédito está a contribuir em mais de 30 por cento para a fraqueza da economia em países que lutam para emergir da crise, acrescentando pressões
desinflacionárias.

Economia alemã
A economia da Alemanha tem-se mostrado a mais forte da área da moeda única, mas o Governo anunciou ontem que o número de desempregados aumentou em 24.000 em Maio, com base em ajustes sazonais, depois de ter recuado em cerca de 25.000 em abril. Economistas consultados pelo The Wall Street Journal antes da divulgação dos dados previam uma queda de 15.000 no total de desempregados. A taxa ajustada de desemprego manteve-se inalterada, em 6,7 por cento, em linha com as expectativas.

A agência nacional de estatísticas da França, o Insee, divulgou que os gastos das famílias em bens na segunda maior economia da Zona Euro caíram 0,3 por cento em Abril depois de um crescimento de 0,6 em Março. O consumo recuou 0,5 em comparação com o mesmo período do ano passado. Há alguns sinais de que o crescimento pode acelerar no fim do ano. A Comissão Europeia divulgou que a sua pesquisa mensal verificou um aumento na confiança das empresas e dos consumidores, com o indicador de sentimento económico tendo alcançado o seu nível mais alto desde Julho de 2011.

Nível de confiança
A recuperação no nível de confiança das empresas este mês em relação à queda em Abril reflecte um abrandamento das preocupações referentes ao impacto das tensões entre a União Europeia e a Rússia em relação ao futuro da Ucrânia. Mas a melhoria na confiança, provavelmente, não impedirá a acção dos integrantes do BCE em Junho. O nível de confiança tem melhorado de forma constante desde o fim de 2012, mas ainda precisa de traduzir-se num período sustentado de crescimento
económico significativo.

A pesquisa também detectou entre os consumidores e as empresas a expectativa de um aumento da inflação, o que pode oferecer algum alívio para as autoridades do BCE. Draghi advertiu na segunda-feira que as expectativas de uma inflação ultrabaixa podem-se intensificar na Zona Euro e estimular consumidores e empresas a adiarem as compras. Em Abril, o índice de inflação da Zona Euro estava em 0,7 por cento no ano, depois de uma taxa anual de 0,5
verificada em Março.