O Fundo Monetário Internacional (FMI) é favorável a que o Banco Nacional de Angola (BNA) mantenha como sua missão principal a garantia de estabilidade dos preços na economia.
De acordo com o representante em Angola do fundo, Max Alier, quando questionado a propósito da necessidade de o banco central evoluir também para aferir dados sobre o mercado de emprego como já é prática em outros mercados, “um banco central, na visão destes, é aquele que cumpre, e com sucesso o papel de garantir a estabilidade da moeda e dos preços”.
Sobre o estudo “Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsahariana”, Max Alier disse que, a alta da dívida dos Estados africanos, que encarece os financiamentos internacionais e trava o desenvolvimento imediato das economias, é das principais notas.
Na sua apresentação ontem, no Museu da Moeda, em Luanda, Max Alier disse que o estudo traça um quadro de desafios para as nações africanas e avança os vários conflitos existentes como a principal causa para o retrocesso ou estagnação que se observa em muitos países.
Segundo ele, é muito encorajadora a perspectiva optimista de recuperação do crescimento económico da África Subsahariana, para o ano de 2019, pese embora os constantes desafios que a região enfrenta.
O governador do BNA, José de Lima Massano disse que, a opção foi a de trazer para discussão temas mais próximos à realidade nacional.
O enquadramento macroeconómico, desenvolvimento e perspectivas de África foram motivos de relevo na escolha.
“Chamaria a atenção para o facto das economias não dependentes da exportação dos recursos naturais na Região Subsahariana virem a registar um crescimento mais acentuado do que aqueles que dependem”, disse.

Crescimento desigual

Um dos desafios mais importantes é o ritmo desigual a que crescem as economias dos diferentes países da região. As perspectivas de crescimento para o ano de 2019 enunciadas no documento aqui hoje apresentado, estão na ordem dos 3,5 por cento enquanto a médio prazo este crescimento se estima a o4 por cento, excluindo as duas maiores economias da região Nigéria e África do Sul produtores de recursos minerais energéticos.
De acordo com o ministro das Finanças, Archer Mangueira, que presidiu ao encerramento da apresentação do estudo, à semelhança das maiores economias da África Subsahariana e produtoras de recursos minerais e energéticos, Angola também enfrenta, num curto prazo, perspectivas anémicas do crescimento real, sendo certo, porém, que a economia se encontra em recuperação.
“Para o nosso país, a revisão em baixa de crescimento previsto no OGE 2019 é justificada pelo choque do preço do petróleo, bem como a provável propagação significativa dos efeitos negativos sob os remanescentes dos sectores da economia”, explicou.
Ainda assim, disse Archer Mangueira, mesmo com a revisão em baixa do crescimento não se pode ignorar que o país permanece exposto a riscos que poderão deteriorar a taxa de crescimento real, nomeadamente a persistência contínua da brutalidade do preço do petróleo, a persistência dos baixos níveis de produção petrolífera, a redução do espaço fiscal a ineficiente gestão da logística institucional face aos desembolsos externos, além das condições de liquidez mais apertadas no mercado interno, entre outros factores.

PEM antecipou chegada do FMI nas Finanças Públicas

O Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), adoptado pelo Governo de Angola, entre meados e final de 2018, com um total de 109 medidas, foi uma antecâmara da entrada do Fundo Monetário Internacional nas Finanças Públicas, de acordo com o economista Carlos Rosado.O também jornalista economico e consultor moderou a prelecção e sessão de questionamentos à Max Alier, ontem, na sala de conferências do Museu da Moeda, tendo realçado que o principal desafio de Angola é avançar no plano de comunicação das medidas tomadas e que têm impacto na vida das pessoas sejam eles negativos ou positivos.

Mesmo não sendo uma sequência na apresentação e questionamentos, o discurso de encerramento do ministro das Finanças, Archer Mangueira, também respondeu a perguntas, sobretudo ao lembrar que o Executivo ciente da importância crucial da sustentabilidade das finanças públicas, como condição obrigatória para alavancar a economia e promover o crescimento sustentável, aderiu ao programa de financiamento ampliado junto do FMI. Tal parceria garantiu que, veio impulsionar a aplicação das medidas da consolidação das finanças públicas e das reformas do sector real da economia de modo a melhorar o ambiente de negócios e dinamizar o sector privado.