O barril de petróleo Brent para entrega em Outubro abriu ontem em baixa no mercado de futuros de Londres ao negociar a Usd 74,50, uma variação de 0,15 dolares em relação a sessão anterior quando fechou nos 74,65 dólares.
Já na abertura de quarta-feira os preços haviam caído após o anúncio de sanções dos Estados Unidos contra a Rússia e outras contra a China, naquela que está a ser chamada de “guerra comercial”.
As penalizações avançadas por Trump na quarta-feira recaem sobre produtos “sensíveis” em termos de segurança nacional e tecnologia. Esta última vertente torna-se um problema para Moscovo (Rússia), uma vez que a indústria petrolífera russa está muito dependente de equipamento estrangeiro. O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, referiu-se a esta dependência como “um problema sério” no início deste mês, de acordo com a agência de notícias russa Interfax.
De acordo com o director do sector de Petróleo e Gás na Fitch, Dmitry Marinchenko, se as sanções afectarem directamente a indústria russa pode existir um impacto significativo.
Os EUA anunciaram esta quarta-feira que avançariam com penalizações contra o país de Putin no próximo dia 22 de Agosto, na sequência do envenenamento do espião russo, Sergei Skripal, e da sua filha Yulia, que teve lugar no Reino Unido, onde moravam, no passado mês de Março. O espião foi agente duplo ao serviço dos serviços de informação britânicos ao longo dos anos 1990 e já neste século, tendo vendido segredos do Kremlin ao MI6.
Na altura do envenenamento, assistiu-se à expulsão de diplomatas russos de vários países, desde os EUA ao Reino Unido, entre outros, expulsões estas que foram retaliadas pela Rússia na mesma moeda. Contudo, o gigante de leste negou qualquer envolvimento no ataque.
Além destas ameaças, outras “sanções esmagadoras” podem estar a caminho, desta vez como retaliação à alegada interferência do Governo de Putin nas eleições americanas de 2016, nas quais Trump se tornou presidente da maior economia do mundo.

Retaliação chinesa custa 16 mil milhões de dólares
A China decidiu esta semana impor tarifas de 25% sobre Usd 16 mil milhões em importações dos Estados Unidos, mas a lista final de itens atingidos não continha petróleo bruto. A commodity era um dos alvos prováveis da retaliação chinesa, após o governo do presidente americano, Donald Trump, impor tarifas ao país. O Ministério do Comércio em Pequim, porém, não incluiu o item na lista final, sem explicar a omissão. Derivados de petróleo foram incluídos.

Analistas e pessoas do setor avaliam que a decisão pode ser um sinal de moderação da China, diante de sua economia que desacelera, e também da dependência do país do petróleo estrangeiro. O analista Shane Oliver, da AMP Capital Markets, diz que seria “um tiro no pé” a imposição de tarifa sobre o petróleo americano. A China depende de importações para 70% de suas necessidades energéticas, o que subirá a 80% até 2040, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Mas a potência compra apenas 3% de seu petróleo dos EUA, tendo como maiores fornecedores a Rússia e a Arábia Saudita.
O petróleo dos EUA, porém, tem sido vendido mais barato em boa parte dos últimos dois anos que outros tradicionalmente comprados pela China, que exigem mais refino e são mais poluentes. Uma tarifa contra o petróleo americano também dificultaria ainda mais que Pequim ganhe uma licença dos EUA para comprar petróleo do Irã, contornando as sanções recentes de Washington contra Teerã, diz Dan Eberhart, executivo-chefe da Canary, empresa do setor sediada em Colorado. Fonte: Dow Jones Newswires.
Esta semana, O petróleo West Texas Intermediate ampliava as perdas nas negociações, após dados terem mostrado uma redução menor do que se esperava nos estoques norte-americanos. Os contratos de petróleo bruto com vencimento em Setembro na Bolsa Mercantil de Nova York tinham perdas de Usd 1,45 ou 2,10%.