O relançamento do sector transformador em toda a dimensão territorial exigiu um investimento global estimado em três mil milhões de dólares.

O sector da Geologia e Minas e da Indústria registou no ano passado um crescimento de 18 por cento, valor este que deverá ser suplantado este ano, com a entrada em funcionamento de várias fábricas, ligadas à indústria têxtil, bens alimentares, cimento, madeiras, fertilizantes, petroquímica e de exploração de cobre, ferro e manganês.

Segundo o titular da pasta, Joaquim David, que falava no dia 7 de Janeiro, em Luanda, na cerimónia de cumprimentos de ano novo, com o relançamento destes sectores, o Executivo espera aumentar as receitas fiscais e o crescimento económico do país.

Um dos projectos mais significativos em 2010 foi o início do relançamento do sector têxtil, dotando-o de equipamentos tecnológicos modernos, para produzir tecidos e fazer confecções de uma forma acabada e diversificada, de modo a que o país possa competir com os bens importados. Para 2011, está projectada a reabilitação da unidade industrial da Textang II, localizada na província de Luanda, paralisada há mais de duas décadas. Ainda neste domínio, está em fase de preparação a análise e discussão dos acordos de financiamento para o relançamento da África Têxtil, localizada na província costeira de Benguela, e da Satec, sedeada no Dondo (Kwanza-Norte).

“O financiamento que o Estado colocou em benefício do sector privado, para o relançamento destas indústrias é superior a um bilião de dólares. Estamos a falar de indústrias de uma actividade que terá uma intensidade clara também em termos de capital”, sublinhou Joaquim David.

O Executivo está também apostado no relançamento da indústria de descaroçamento de algodão na província de Malanje, cujo financiamento também já está assinado, segundo garantiu o ministro.

Materiais de construção

Quanto à construção civil, Joaquim David anunciou que o sector que dirige foi orientado no sentido de empreender maiores esforços no domínio dos materiais de construção. Neste âmbito, estão a ser reabilitadas e construídas, sob tutela do Ministério da Geologia e Minas e da Indústria, fábricas de cimento, bem como de cerâmicas para colmatar o défice existente no país. Com os avultados investimentos que estão a ser canalizados para a efectivação dos projectos, o Executivo pretende que o país, num período de seis anos, possa exportar o cimento. As unidades industriais estão a ser montadas nas províncias do Bengo, Kwanza-Sul e Benguela.

Por exemplo, na província do Bengo, na localidade do Bom Jesus, está a ser construída uma fábrica de cimento, que, segundo previsões, deverá entrar em funcionamento a partir de 2014/2015.

“Vai, eventualmente, levar-nos a uma auto-suficiência na oferta de cimento, a partir de 2014/2015. E, se os esforços continuarem, dentro de dois a três anos, estaremos em condições de sermos exportadores de cimento, ao contrário da situação actual, em que nós importamos todo o cimento que consumimos”, disse, antes de frisar que, além deste produto, outros materiais de construção civil também terão fábricas instaladas em algumas províncias do país, com destaque para as cerâmicas.

Pólos industriais

Um dos grandes projectos em que o Executivo angolano está empenhado é a criação em várias províncias de pólos de desenvolvimento industrial, num investimento global na ordem dos dois mil milhões de dólares norte-americanos. No município petrolífero do Soyo, na província do Zaire, está projectada a construção de um pólo industrial, onde será instalada uma fábrica de fertilizantes. O ministro disse que o projecto está em fase de estudo de viabilidade financeira.

Extracção de mineiros

No sector mineral, Joaquim David destacou o estudo que está a ser feito para a exploração de minerais em bruto. Neste contexto, está em fase de preparação a implementação de um projecto para a refinação do alumínio, um produto derivado da bauxite. Segundo o governante, foi decidido, a nível do Conselho de Ministros, o relançamento do Complexo Mineiro de Cassinga, a ser erguido no Sul do país, e que se dedicará à actividade de exploração de ferro e manganês. Para a região Norte de Angola, está previsto o relançamento da exploração do cobre.

“Está projectada a construção de uma siderurgia nas províncias do Namibe ou da Huíla para aproveitar a produção do ferro, a partir de Cassinga. O cobre também não será exportado na sua totalidade em bruto. Com estas unidades, acreditamos que serão criados suficientes postos de trabalho”, salientou o ministro.

Agro-negócio

O processo de industrialização do país passa igualmente pelo relançamento do sector agro-alimentar. Está a ser projectada a construção de unidades industriais para a produção de açúcar e moagem de cereais. O governante frisou que, neste sector, esforços estão a ser feitos no sentido de se incrementar as parcerias público-privadas no interior do país.

“Fizemos um trabalho a nível nacional, com o apoio das forças vivas de cada uma das 18 províncias, e identificamos projectos em todos os domínios. Muitos destes estão em fase de negociação”, disse o ministro, especificando que, neste momento, existem no Banco Africano de Investimentos (BAI) 14 projectos, num investimento avaliado em 160 milhões de dólares, oriundos de várias províncias, no domínio das pequenas e médias empresas.

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