O investimento português em Angola no ano de 2008 atingiu a cifra de 620 milhões de dólares, um valor que é quase o triplo ao de 2007, deu a conhecer nesta quinta-feira o embaixador deste país, Francisco Ribeiro Teles, em entrevista à Angop.

O diplomata, que falava a propósito das relações entre os dois países e da visita que o Presidente Angolano, José Eduardo dos Santos, efectuará a este país europeu entre os dias 10 e 11 de Março, referiu que estes números significam um acréscimo importante em relação a 2007, onde o investimento foi de 230 milhões de dólares.

Para o embaixador, os números existentes são a expressão da intensificação do relacionamento e cooperação entre Angola e Portugal.

De acordo com Francisco Ribeiro Teles, Angola é, neste momento, o principal parceiro comercial de Portugal fora do espaço europeu e o quarto destino mundial das exportações deste país, atrás da Espanha, Alemanha e França.

Isto, referiu, porque nos últimos dois anos ultrapassou a Itália, Reino Unido e EUA como destino das exportações portuguesas, o que revela um aumento significativo das exportações para Angola.

Em termos de investimentos, excluindo os sectores petrolíferos e diamantíferos, o embaixador português referiu que o seu país é o principal investidor em Angola, neste momento, isto segundo dados da ANIP (Agência Nacional de Investimento Privado).

Por outro lado, disse verificar-se, com grande regozijo, o surgimento de investimentos angolanos em Portugal, através de participações na banca, na empresa petrolífera portuguesa Galp e também no sector imobiliário, além de outros sectores.

Acrescentou ser importante este cruzamento de investimentos por considerar esta uma forma importante para se sedimentar as relações entre os dois países.

No entanto, apesar das relações atravessarem um bom momento, realçou ainda o desejo de uma presença mais activa de Portugal em determinados segmento do mercado, que são importantes para o desenvolvimento do país, bem como uma maior extensão da actividade de empresas lusas não só em Luanda.

Francisco Ribeiro Teles disse também que em termos institucionais têm sido analisadas já alguns sectores onde a cooperação entre os dois países, no futuro, poderá ser ainda mais incisiva, como são os casos de áreas da educação, saúde e agricultura.

Deu a conhecer que durante a visita do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, as delegações dos dois países desenvolverão acções que visam um incremento ainda maior da cooperação entre os dois países.

Realçou o facto de Portugal ter aberto já duas linhas de créditos, cujo total anda a volta dos 600 milhões de euros, mas que durante a visita do Chefe de Estado angolano ao seu país se encontre entendimento para a abertura de uma terceira linha de crédito de 500 milhões de dólares.

Explicou que esta linha de crédito será destinada a projectos de desenvolvimento nos diferentes domínios em Angola que envolvam empresas portuguesas.

Por outro lado, de acordo com o diplomata, o mercado angolano é cada vez mais importante para Portugal e, por este facto, considera útil que exista uma concertação entre os dois países no sentido se analisar as estratégias para no decurso da crise económica e financeira mundial possam ser encontradas soluções para os problemas que ambos poderão enfrentar neste domínio.

No entanto, argumentou que o mercado angolano está em expansão e, por este facto, a crise terá aqui reflexos, mas não com a mesma contundência que já está a ter na Europa e nos EUA.