O Presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, é das vozes críticas ao processo de acesso às cambiais.Num recente programa de televisão, José Severino criticou o que ele mesmo chama de “elites”, sendo que um grupo beneficia consecutivamente de somas de divisas para concretizar os seus intentos.
Segundo disse, na altura, a intenção do Banco Nacional de Angola (BNA) é excelente, mas os vicíos do passado continuam e deixam claro que alguns partem em vantagem em relação aos outros nestes processos, que apesar dos esforços do banco central e as eventuais medidas dos parceiros comerciais, ainda considera pouco claro os critérios de alocação de divisas.
O “mais velho” Severino como é muitas vezes apelidado insiste que as poucas divisas ao invés de irem para a importação de simples comida, sob pretexto de que esta não é produzida internamente, dever-se-ia apostar na aquisição de insumos, maquinaria e potenciar-se os produtores nacionais, sejam estes agricultores ou industriais que apostam na transformação de produtos, para que num curto espaço de tempo o que não se faz cá possa ser feito e com a qualidade que se verifica lá fora. “Isso não é impossível. É questão de vontade e de mudança de mentalidades”, disse.
E como tem dito o economista que os seus anos de experiência servem ao menos para não acreditar em tudo que vê e ouve, a hipótese de estar um grupo de empresários a “fintar” o sistema bancário e a levar as divisas às suas empresas no exterior, dá-se-lhe razão.