O mercado secundário de dívida pública obteve um desempenho assinalável, tendo alcançado um montante de negociação global de 525 mil milhões de kwanzas, aproximadamente 3,2 mil milhões de dólares.
De acordo com o relatório e contas de 2017 a que o JE teve acesso, o lucro da BODIVA ascendeu a Kz 585 milhões, verificando-se uma evolução positiva face ao período homólogo, que registou um prejuízo na ordem de Kz 293,8 milhões, sendo importante destacar que se trata do primeiro exercício encerrado com resultado positivo.
O lucro observado no período é explicado essencialmente pelo aumento dos proveitos operacionais, explicado pelo início da facturação dos serviços de manutenção em negociação dos títulos de dívida pública ao emitente Estado e pela realização de proveitos relativos às comissões de liquidação.

Proveitos
O relatório de contas dá ainda nota alta ao facto de em 31 de Dezembro de 2017, os proveitos operacionais da BODIVA totalizaram Kz 1.046 milhões, traduzindo- se num acréscimo de 313,7 por cento face aos Kz 252,9 milhões registados no período homólogo, distribuído por actividades.
Os proveitos decorrentes da actividade de gestão de mercados regulamentados, registaram um aumento acentuado em 313,7, justificado essencialmente pela facturação dos serviços de manutenção em negociação dos títulos de dívida pública ao emitente Estado, contando também com o aumento das comissões de negociação (taxa de bolsa), face ao mesmo período de 2016, na ordem de 28,85 por cento. Adicionalmente, relativo aos bilhetes do tesouro, a existência de limites máximos de comissões a cobrar durante o primeiro semestre, condicionou o potencial de realização de receitas decorrentes da negociação deste instrumento.
Os proveitos resultantes da actividade de gestão de sistemas de compensação, liquidação e custódia atingiram o montante de Kz 163,8 milhões, sendo importante realçar que, no período homólogo, as receitas decorrentes desta actividade começaram a ser realizadas apenas no mês de Novembro. Quanto à composição dos proveitos, os valores decorrentes da manutenção em negociação representam a maior parcela (75%), sendo possível também observar que o peso da comissão de liquidação é inferior ao da taxa de bolsa, não obstante a referida comissão corresponder à metade da comissão de negociação, tendo em conta que relativamente à liquidação de negócios, não há limites
de cobrança de comissões.

Custos
O relatório da BODIVA dá ainda conta de que no final do exercício económico de 2017, os custos relativos à rubrica do pessoal (Kz 291,2 milhões), fornecimento de terceiros (Kz 213,0 milhões), depreciações e amortizações (Kz 72,8 milhões) e impostos e taxas (Kz 7,9 milhões), totalizaram Kz 585,1 milhões, que comparados com o ano anterior houve uma variação total de 5,22 por cento, apesar de se verificar uma inflação anual superior à 26.
A redução nos gastos com fornecimento e serviços de terceiros em 5,03 por cento foi resultado de um esforço intenso para redução de custos adoptados pela Comissão Executiva.
Por outro lado, em relação aos custos com pessoal, o aumento observado decorre da estratégia de investimento no capital humano, com vista a perenizar um quadro estável de colaboradores que gere uma melhoria nos serviços prestados ao Mercado e estimule a criatividade e a inovação, em detrimento dos serviços externos, cujos benefícios são temporários.
O activo total líquido da BODIVA ascendeu, em 31 de Dezembro de 2017, a Kz 1.351, 5 milhões, representando um aumento, face a Dezembro de 2016 de Kz 885,1 milhões, sendo que, em termos de composição, a maior parcela da rubrica é representada pelas contas a receber.