Os participantes da 1ª reunião ordinária da Comissão Multissectorial da Hotelaria e Turismo recomendam que se deve proceder ao mapeamento turístico nacional e criar, através de diplomas legais, as áreas de interesse e potencial turístico com vista à sua delimitação e protecção.
Esta é uma das conclusões do encontro que decorreu em Luanda, na passada terça-feira, que entre outras medidas, sublinha a urgência de se definir os planos territoriais por províncias e municípios para que se estabeleçam de forma clara os espaços adequados com potencial turístico para a atracção e implementação de investimentos privados (nacionais e estrangeiros) rentáveis.
Consta igualmente das conclusões, a possibilidade de se estudar as condições e mecanismos de financiamento para reabilitar e ampliar a rede de estradas principais e outras com melhor e maior acesso aos empreendimentos turísticos e estabelecimentos de alojamento, restauração e similares.
A comissão multissectorial entende que se deve melhorar a segurança rodoviária bem como um “aproveitamento dos transportes terrestres (autocarro e comboio), para a dinamização do turismo doméstico e social”.
“Estudar a articulação da rede de transporte aéreo de modo a permitir uma maior ligação entre as principais cidades e os locais de interesse turístico com preços que possibilitem o desenvolvimento do turismo interno”, destaca o documento.
Quanto ao abastecimento de energia eléctrica e água potável, a fonte sublinha que deve-se desenvolver com “urgência”, programas dirigidos nos locais de grande potencial turístico para a redução dos custos operacionais das unidades hoteleiras e similares e elevar a qualidade de prestação de serviço pelos operadores e prestadores de serviços turísticos.
A comissão pretende também analisar e apresentar soluções “exequíveis que concorram para o alargamento da base tributária, bem como, para evitar a dupla tributação no âmbito dos investimentos estrangeiros no sector sem prejuízo dos estímulos que se possam criar nesta área”.
Serão desenvolvidas campanhas de educação das populações, especialmente “crianças e jovens para o turismo sustentável”.
Quanto aos Pólos de Desenvolvimento Turístico, os participantes concluíram que dado o potencial nestes concentrados, afigura-se com carácter de urgência a intervenção e reabilitação do eixo Cuito Cuanavale/Mavinga (sede)/Luiana (sede), bem como o troço Bwabwata/Luiana (Jamba) assim como Boa Fé/Bico de Angola para o desenvolvimento do turismo.
Consta também do projecto a abertura de picadas nos Parques Nacionais de Mavinga e Luengue/Luiana para permitir a circulação de turistas no seu interior.
Preve-se igualmente os esforços tendentes à simplificação do processo de concessão ou supressão dos vistos, bem como outros mecanismos de facilitação da circulação de que proporcionem o aumento do fluxo de turistas.

Desenvolvimento do turismo
Convidada a discursar no acto de abertura do evento, a ministra da Hotelaria e Turismo, Ângela Bragança, destacou as inúmeras potencialidades que o país tem, tendo destacado, como exemplo, Luanda.
Para ela, a província tem a Baía de Luanda, a fortaleza, o Museu da Escravatura, a Feira do Artesanato, as praias e resortes ao longo da costa, o Miradouro da Lua, o Parque da Quiçama, a barra do Kwanza, o Cabo Ledo, a Muxima, que requerem melhorias, para atrair turistas e para gerar recursos e criar empregos.
Para se alcançar estes objectivos, Ângela Bragança salienta que a aposta deve ser focada na formação de quadros para a área do turismo assim como o envolvimento dos “grandes players do turismo”, das associações e do sector privado.
No quadro da sua estratégia para o sector, o Executivo angolano agilizou um programa estratégico, para o horizonte 2011/2020, que prevê alavancar o património cultural, natural e outras potencialidades nacionais para atingir-se 4,5 milhões de turistas.
A Comissão Multissectorial da Hotelaria e Turismo é o órgão de auscultação e apoio consultivo composta pelos ministérios da Cultura, Ambiente, Juventude e Desportos, Agricultura, Interior, Finanças, Relações Exteriores, Saúde, Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, Comércio, Comunicação Social, Transportes e Energia e Águas.

Turismo mais actuante

O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse que Angola precisa de desenvolver uma “verdadeira indústria do turismo”.
Ao discursar na cerimónia de abertura da 1ª reunião ordinária da Comissão Multissectorial da Hotelaria e Turismo, o governante defendeu parcerias internacionais para proporcionar a criação de produtos turísticos competitivos e de boa qualidade, de modo a atrair cada vez mais e maiores fluxos de turistas das várias regiões do mundo.
Manuel Nunes Júnior destaca que a actividade do turismo é desenvolvida, essencialmente, pelo sector privado, já que, segundo revelou, encontra enormes oportunidades de negócio com taxas de retorno significativas.
“Ao Estado cabe criar as condições institucionais, as condições macroeconómicas e também as condições de segurança para que esta indústria floresça”, frisou.
 
Contribuição
Na ocasião, o ministro informou que o peso do sector petrolífero na economia angolana tem estado a diminuir, tendo passado de 58 por cento do PIB em 2008 para cerca de 20 em 2016.
Reconheceu que esta redução não se traduziu ainda numa alteração estrutural das exportações e das receitas do Estado, sobretudo das receitas em moeda externa.
Mas, ainda assim entende que uma actividade que pode ter implicações positivas importantes na balança de pagamentos do país e contribuir para a diversificação das fontes de aquisição de divisas da economia nacional é o turismo.
“Para muitos países, o turismo constitui uma das suas principais fontes de rendimento”, sublinhou.