As estratégias do Executivo tendentes ao relançamento da actividade agrícola, associadas aos investimentos realizados pelo sector empresarial privado, parecem estar a surtir os efeitos desejados.
O facto pode ser aferido diariamente nas várias superfícies comerciais e mercados informais em todo o território nacional .
Numa altura em que o país se apruma para o lançamento de mais uma campanha agrícola, a reportagem do JE deslocou-se ao mercado do quilómetro 30 para in-loco constatar os níveis de oferta.
A azáfama é percebida logo ao abandonar o asfalto e seguir a estrada de terra batida que nos leva então ao destino traçado.
Num cenário dominado pelo cheiro de produtos da terra ( sinónimo de que existe produção), guiados pelo nosso cicerone Lopes Manuel de 19 anos de idade e proveniente da província de Benguela, a nossa equipa desbravou os meandros do local.
No mercado que quase não dorme, a oferta é variada e os preços condizentes com a qualidade do produto eleito. O espaço rebenta pelas costuras dada a quantidade de pessoas colocadas nos dois lados do negócio (vendedores e compradores), e a satisfação é visível a cada vez que mais uma compra/venda é consumada.
Experimentando um modelo de organização que está ainda longe do perfeito, o mercado apresenta-se compartimentado por secções de produtos, facto que facilita a tarefa de quem vai comprar, mas são mesmo as verduras que ocupam maior percentual do espaço .
As galinhas e outros animais, expostos quase que a entrada do mercado, pareciam dar-nos as boas vindas. A oferta de produtos regista uma grande variedade. Enormes quantidades chegam todos os dias ao mercado.
A viagem para Luanda independente da origem é tortuosa em função do estado de degradação das estradas. Isso foi confirmado por Jordão António, motorista de camião, que nos confessou que chega a fazer dois dias do Huambo a Luanda.
“ É preciso pouparmos o carro porque as peças de reposição custam os olhos da cara”, avançou.
O desabafo de Jordão coincide com o de milhares de produtores e transportadores que são unânimes em afirmar que com o melhoramento das estradas, o escoamento da produção seria mais célere e eficaz e baixaria os preços de mercado.
Nos arruamentos, camiões e carrinhas carregadas de mercadoria embaraçam a circulação. O processo de comercialização do produto transportado chega a durar dias. A tarefa não é fácil, mas o resultado chega a ser compensador .
Todos buscam vender o máximo para levar para casa “o pão nosso de cada dia”. Por esta altura, é possível perceber que alguns produtos como a cenoura, pimento e melancia, começam a registar alguma escassez, contrastando com o tomate, batata rena e abacate que vão aumentando os níveis de oferta. “Tio aproveita comprar tomate. A caixa baixou para quatro mil”, aconselhou-nos o jovem Lopes.
O pimento vermelho e amarelo regista um considerável aumento da procura, não só pelas suas propriedades nutritivas, mas pelo aspecto agradável e colorido que oferece ao prato e à mesa. Afinal, mesa bonita aumenta o apetite e vontade de comer. Dona Rosa Neto mostra-se alegre pela queda no preço da batata rena. “ Os agricultores estão mesmo a trabalhar. No mês passado, comprei por sete mil e quinhentos e hoje custa cinco mil e quinhentos a caixa”, disse com um sorriso rasgado.
A secção das frutas agrada pela multiplicidade de cores e aromas. A variedade convida ao desembolso de mais alguns kwanzas para melhorar a dieta no lar. O loengo perfila entre os frutos em abundância com o quilograma a ser comercializado por Kz 200,00. Já a melancia começa a escassear, tendo como consequência o aumento do custo de aquisição com a unidade de quase dois quilos a atingir os dois mil e
quinhentos kwanzas.
De regresso à redacção, uma certeza não nos sai da cabeça. “ Afinal o campo cria emprego na cidade”.

Mais raízes
e tubérculos em 2019

O Governo angolano projectou para a campanha agrícola oficialmente aberta hoje, o aumento dos níveis de produção de formas a garantir a melhoria da dieta alimentar das populações, a rentabilização dos investimentos aplicados e a criação de excedentes para a exportação. Angola vivencia já uma experiência ainda que tímida, com a exportação de produtos como a banana, o café, a manga e a papaia. A intenção é que outras famílias de produtos se juntem aos já exportáveis, internacionalizando dessa forma o produto” Feito em Angola”e garantindo a entrada de divisas para o país no quadro do programa de diversificação da economia. Para atingir o desiderato, uma das medidas traçadas pelo pelouro da agricultura, é o recrutamento e contratação de 380 técnicos superiores e médios. Outra medida prevista para a presente campanha e muito aguardada pelos produtores, é a implementação do crédito fiscal aos combustíveis agrícolas, que se prevê em torno de 30 por cento, visando estimular a produtividade e o investimento. Para a  campanha agrícola 2018/2019 está projectado um aumento na produção de raízes e tubérculos na ordem de 130 mil toneladas, prevendo-se assim 11 milhões e 130 mil toneladas, contra as 11 milhões de toneladas da campanha 2017/2018.  CC