A decisão está tomada, mas a voz precisa de ser única permanentemente. Angola deverá cortar cerca de 30 mil barris/dia, dois por cento da sua produção petrolífera do mês de Outubro, para cumprir a recente decisão dos produtores do cartel de reduzir 1,3 milhões de barris/dia à oferta do grupo Opep ao mercado.
Embora tenha como quota limite 1,6 milhões de barris/dia e só produza, nos últimos anos, entre 1,4 e 1,5 milhões, a baixa na oferta pretendida pela Opep deverá resultar, a partir de Janeiro de 2019, em menos petróleo, mas com maior preço nas encomendas. E é aí que a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) segue à risca o seu plano de aproximação dos membros.
A meta inicial tomada em Janeiro deste ano era de um preço médio de 80 dólares, que poderia aumentar para 90 ou 100 até finais de 2019 na perspectiva de membros do cartel e especialistas de agências de avaliação dos mercados de petróleo.
Nesta perspectiva, o secretário-geral da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Mohammed Sinusi Barkindo, vem a Luanda este fim-de-semana (17 a 19).
A presença de Barkindo é vista como um sinal de confiança e reconhecimento do papel estratégico de Angola na organização. Também alinha a perspectiva de Barkindo influenciar a Nigéria e Angola a seguirem planos rigorosos numa frente única do continente na organização.
Embora não tenha avançado o plano de visitas em Luanda do Executivo da Opep, o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo (MIREMPET) encara a oportunidade como crucial, numa altura em que Angola reestrutura o sector petrolífero para conferi-lo de maior atractividade aos investimentos privados externos.

Preço perfeito
Em Junho deste ano, altura em que a OPEP reforçou a decisão adoptada em Janeiro de cortar mais de 1,3 milhão de barris/dia, a perspectiva do cartel era de os preços, nesta altura, estarem à volta dos 80 dólares. Houve mesmo, entre os produtores, quem avançou a ideia de o barril retornar aos 90 ou 100 dólares até finais de 2019.
De acordo com o especialista em petróleo Flávio Inocêncio, “é uma visita de importância fundamental e revela que Angola conta no cenário estratégico global”, disse.
Flávio Inocêncio lembra que a Nigéria foi um dos principais aliados para a entrada de Angola na Opep, desde que Angola começou a considerar candidatar-se como membro de pleno direito. Barkindo, disse, também como secretário-geral tem como função a busca de consensos para uma coordenação harmoniosa entre os países membros que tipicamente têm objectivos diferentes dentro da organização, numa altura de pressão de preços baixos.
Para o especialista, Barkindo não tem os mesmos poderes dos Estados membros. No entanto, tem o poder da persuasão para que o bloco “fale a uma só voz”, pois as decisões da Opep são tomadas por consenso.

Produção mantém com 1,49 milhões barris/dia

O sector dos petróleos prevê a manutenção dos níveis de produção no país, mantendo-os em 1,49 milhões de barris/dia, no âmbito do cumprimento do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), para o quinquénio 2018/2022.
Segundo o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, que falava ontem, na cidade do Soyo, província do Zaire, à margem do II Conselho Consultivo do sector, para manter o equilíbrio na produção do petróleo, foi elaborado um plano de licitação de novos blocos de exploração deste mineral.
Informou que o ministério vai finalizar ainda este ano a estratégia de exploração e licitação de mais blocos de petróleo para o período 2019/2023, devendo depois ser submetida e aprovada nos primeiros meses do próximo ano pelo Executivo.
Diamantino Pedro Azevedo reconheceu, na ocasião, que grande parte dos campos petrolíferos está em fase de maturação e outros em declínio, daí estarem a trabalhar para recuperar alguns blocos, com vista a manter o equilíbrio de produção e exploração petrolífera do crude no país. O ministro falou também das reformas em curso nos petróleos, de modo a tornar o sector mais robusto e contribuir significativamente para o desenvolvimento do país.
Segundo o ministro, decorre também o processo de regeneração da Sonangol, com o objectivo de torná-la numa empresa voltada, essencialmente à exploração, transformação, distribuição e armazenamento do petróleo e seus derivados.
A propósito disse, o programa já foi aprovado e lançado pela Sonangol, incluindo a privatização de grande parte de activos não nucleares da empresa.
Por outro lado, Diamantino Azevedo disse que o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos está também empenhado no processo de liberação da actividade de refinação e distribuição de petróleo, com a criação do Instituto Regulador de Derivados de Petróleo.
No âmbito deste programa de reformas, prosseguiu, elaborou-se uma estratégia de construção e reabilitação de refinarias nas províncias de Benguela (Lobito), Cabinda e Luanda.
Participam no evento, que decorre sob o lema “Os desafios do Sector dos Recursos Minerais e Petróleos para impulsionar a economia nacional”, directores nacionais, presidentes dos conselhos de administração dos serviços superintendidos e outros funcionários do sector.

ENI faz previsão
no “core business”

Um novo poço petrolífero capaz de gerar cinco mil barris/dia foi, esta semana, anunciado pela italiana ENI que explora o Bloco 15/06. A descoberta poderá representar uma produção total entre 170 e 200 milhões de barris de crude.
“Em Afoxé-1 NFW, a Eni alcançou uma nova descoberta de petróleo, localizada a Sudeste da área do Bloco 15/06, a aproximadamente 120 quilómetros da Costa, 50 quilómetros a Sudoeste de Olombendo FPSO e a 20 quilómetros a Oeste do local onde foi confirmada a mais recente descoberta de Kalimba-1”, refere a petrolífera em comunicado.As novas descobertas de Kalimba e Afoxé representam juntas um potencial de 400 e 500 milhões de barris de crude de alta qualidade, o que constitui um novo “cluster” de petróleo que pode ser explorado com um novo conceito de desenvolvimento, declarou a companhia petrolífera.