Há todos os dias inovações para sobreviver. Se há pessoas a vender alimentos em roulottes para aguentar a vida, há também quem ganha fabricando as mesmas. O negócio gera emprego, e rende um pouco de dinheiro para suportar as dificuldades da vida “dura” que gravita à volta de todos. Esta forma de ganhar o pão em Luanda, remonta dos anos 90, e já se chamou a febre das roulottes. Já virou uma tradição para ganhar o dia. Há uma roulotte em qualquer canto da cidade. Aliás, além de proporcionar sustento à muitas famílias, algumas roulottes já serviram de ponto de encontro para muitos. Para galvanizar e dar novo rosto às estruturas, os fabricadores começaram a adicionar novas criações para atrair mais clientes ao negócio. O novo formato apresenta agora, nas paredes laterais, determinados designs de alimentos que aguçam o apetite. Trata-se de personalizar os serviços de roulottes móveis, com o uso de um sistema denominado “lona de vinil”, material que possibilita que o cliente estabeleça ou escolha os alimentos que podem ser desenhados no seu meio de trabalho. É o novo nicho que o empreendedor Vicente Rodrigues Mingas está a fabricar num espaço localizado no distrito urbano do Benfica, no município de Belas, em Luanda. Contrariamente ao modelo anterior que era produzido a partir de chapa normal, as novas marcas são construídas de “chapas térmicas e esferovite” para absorver as altas temperaturas ambientais. É uma das “grandes diferenças” em relação às antigas. Este tipo “são roulottes que permitem ser movimentadas para qualquer ponto da cidade, como praia, festivais, actos culturais ou qualquer zona de aglomeração sem provocar constrangimentos ao trânsito. Para se inspirar no fabrico do novo modelo, Vicente Mingas disse que muitas vezes, notou o desconforto das pessoas que normalmente trabalham nestes sítios, que ficam na execução da actividade. “Eu via as pessoas que trabalham lá dentro aflita de calor, e a transpirar. Neste novo modelo já não tem este problema. Acautelamos tudo isso, para o bem do empregado”, frisou.

Há três anos
Há três anos neste negócio, investiu aquilo que considerou “míseros trocos” para ganhar e começar. Proporcionou emprego a 14 jovens que são pagos em função de um acordo firmado entre as partes. Por cada roulotte o cliente paga uma quantia cujo preço inicial de kz 180 mil. O interessado pode fazer o pagamento de forma faseada. “ O cliente entrega 50 por cento do orçamento, já o restante é entregue depois de terminar o trabalho, não passamos do tempo acordado para que
ninguém saia prejudicado”, disse. O primeiro pagamento serve para começar a obra, e o restante entregue no fim da obra serve para pagar o salário dos jovens ao serviço da micro-empresa. A factura mensal, já chegou à fasquia de kz 2 milhões, um volume de negócio que depende, em grande medida da solicitação dos serviços da pequena empresa. “Investi o pouco que tinha, e com o dinheiro dos clientes estou a engrandecer o meu negócio, que por causa do actual momento económico apresenta resultados ligeiramente baixos em relação ao passado recente”, disse. Por isso, dispensou o recurso aos bancos comerciais face aos juros altos que os bancos cobram além das exigências contratuais. Disse que foi a melhor fómula encontrada para evitar o endividamento com a banca em função das variações constantes nas taxas de cambio, muitas vezes fora do controlo do investimento. Ainda assim, mantém expectativas em ganhar mais dinheiro, Como diz, a “vida não pára”. Assegura que tão logo que a condição económica do país melhore, vai estender o negócio para diferentes pontos do país. “Mantenho essa esperança viva”, frisou.

Meio gás
O empreendedor apontou que toda a matéria prima é obtida no mercado nacional, porém nota-se nos últimos tempos uma subida nos preços dos produtos. Caso se mantenha está oscilação vão também “mexer” no preço. Com a actual situação economica, oficina já começa a funcionar a “meio gás” por isso, solicita às autoridades de direito que tomem medidas regulatórias para se evitar excesso no mercado de preços para evitar prejuízo aos consumidores finais.