Multiplicam-se as iniciativas para ganhar o pão. A sobrevivência depende da avidez de cada pessoa. As soluções estão à frente de cada um. O primeiro passo define sempre o sucesso. Muita gente sobrevive a vender gelado nas ruas, outros montam postos à porta de casa. Numa altura que a temperatura está insuportável em Luanda, o negócio do gelado parece ganhar mais espaço. Amiúde, centenas de jovens são vistos a empurrar carrinhos carregados de gelados para saciar a vontade dos clientes e amenizar “o ambiente infernal”. Como disse um comprador de ocasião, está a fazer muito calor estes dias e, para ele, a solução passar por tomar um gelado de múcua. O negócio é dominado por mulheres que, depois de prepararem o produto, entregam-nos a outras pessoas, mais jovens, para o vender. Eles assumem a procura, sobretudo agora que o sol aquece mais os corpos. É o caso de Maria de Sousa, que já esteve envolvida em muitos negócios. Foi vendodora de frutas, bens alimentares e bijuteria. Ela mora no Cazenga e descobriu no gelado uma saída para melhor rendimento. As coisas terão resultado. E como assim foi, juntou também iogurtes aos seus gelados. Dobrou a oferta e, por via desta, as receitas. A capacidade de emprender aguça o engenho. Logo ela foi tentando outras soluções e até que encontrou:passou a fazer o gelados “gourmet”, usando essências de frutas como banana, laranja, maracujá, ananás, morango e manga e dá um toque diferente e de múltiplos sabores. E isto sobretudo a “criança” gosta. Chega a facturar diariamente em média 10 mil kwanzas. Os preparativos são feitos dentro do quintal da sua residência, onde montou o seu “laboratório”. Disse que, no princípio, investiu 3 mil kwanzas para aquisição da matéria-prima e lucrava diariamente 10 mil kwanzas. À medida que o tempo foi passando a facturação foi subindo. Conta que já forneceu gelados “gourmet” a um restaurante na capital.

Histórias do gelado

O preço de cada unidade varia entre 100 a 150 kwanzas. O tamanho e o sabor são determinantes. O aspecto conta muito. Daí, savalguardados os cuidados higiénicos. As luvas calçadas reforçam a confiança. Para reforçar, máscara a cobrir a boca é demonstrativo de que, em primeiro lugar, a segurança de quem procura pela doçura do serviço. Quanto ao rigor, ela diz ser permanente. “Assim evitamos qualquer consequência e até reclamações”. Tudo para garantitr que “as medidas de segurança estão garantidas” . Outra empreendedora Madalena kiosa também vive deste negócio, há cinco anos. Factura diariamente 20 mil kwanzas e tem  quatro jovens calcorreando pelas ruas de Luanda, apregoando aos quatro ventos. “é picolé lé lé...” Diz que no passado os lucros eram superiores ao actual, tudo porque naquela altura o preço da matéria-primera ligeiramente mais barato.  “O produto que custava mil kwanzas agora sai peloo dobro”, o que se reflecte depois na venda directa aos apreciadores. Naquela fase, segundo conta, tinha seis jovens que lhe prestavam o trabalho. Eles regressavam com uma  facturação acima dos 40 mil kwanza/dia. Assume haver rendimento mas diz querer que a actividade esteja sempre ao nível que não prejudique a procura. “Qualidade e bom preço são a chave do sucesso”. Reside no Golfe-2, em Luanda. Mas, lá, vendeu milho assado à porta de casa. Fez dinheiro. Do lucro, se calhar, cansada do fogo quente do fogareiro, decide pelo fresco: abre portas a uma nova actividadeo gelado. Já não podia estar sozinha. Se para a “massaroca” só precisa de milho fresco e carvão, os picolés são muito mais exigentes. Precosa de mais pessoas. E teve que “inscrever” seis pessoas dada a complexidade da fabricação deste “refresco”. A senhora Maria Faísca, residente no Calemba II é outro exemplo de que com resiliência se gera uma actividade lucrativa. Ela igualmente abraçou o picolé como fonte geradora de dinheiro e sustentar a sua família. Sabe-se, aliás, que os empregos estão difíceis e, como a fome não espera, há que marcar passos seguros e de muita responsabilidades e tal requer muito sacrifío e abnegação. É história do picolééee.

“Cliente determina desejo”

Maria de Sousa, depois de verificar o sucesso do negócio e ter participado em muitas acções formativas, decidiu partilhar os conhecimentos com pessoas envolvidas no mesmo. Segundo ela, a feitura dos gelados “gouvert” é muito exigente. Passa por cumprir com algumas normas. O cliente determina o seu desejo. Fruto desta iniciativa  já formou mais de 50 pessoas desde o ano passado. Considera que, com está superação, os fazedores da actividade passam a confeccionar o gelado e iogurte  “Gourmet” de boa qualidade. “Eu pensei naquelas pessoas que estão em casa sem fazer nada, por isso estou a promover acções formativas para que mais gente possa aderir ao negócio e com conhecimentos sólidos” . Para ter acesso a formação, o interessado tem de pagar 6 mil kwanzas por quatro horas em duas semana. A formação da lugar a um diploma, que o legitima a exercer a actividade comercial.
Neste momento, um grupo está em formação. “É preciso incentivar a formação. Não podemos continuar a fazer  as coisas de forma impírica”. Apelou para que cada cidadão olhe e pense para o colectivo, inserindo e formando mais gente no seu ramo de actividade.
“Estou certo que o desemprego em Angola vai baixar substancialmente. Não vamos esperar só pelo Governo para reduzir este problema “, manifesta confiança. Com o pensamento virado para o progresso, a jovem vai reabilitar à sua escola para garantir mais comodidade aos formandos. apela a juventude a criar ideias que possam galvanizar a economia. Para ela, “o sol somente brilha para nós se nos esforçamos, agora ficar sentados a espera que as coisas nos encontrem  é impossível”, sugeriu. Quer o fomento da matéria-prima como os  citrinos e outras frutas. Por isso apela à produçao aos camponeses.AE

Kunhinga
diz que sim

Cerca de 300 toneladas de frutas, entre ananás, banana, laranja, limão e tangerina são colhidas, anualmente, no município do Kunhinga, na província do Bié. As grandes extensões de terras preparadas para este ano agrícola apontam para o aumento dos níveis de colheita apurou o JE. O escoamento e o mercado para vender são os obstáculos dos pequenos produtores que, muitas vezes, impávidos observam a fruta a deteriorar-se no campo. Esporadicamente, algumas quantidades são vendidas nas  províncias do Huambo, Moxico, Benguela, Cuando Cubango, Malanje. “Grande parte da fruta acaba por se estragar durante a trajectória, carga e descarga  provocando altos prejuízos económicos aos agricultores da região. Temos auto-suficiência na produção da fruta”, assegurou. Como se pode depreender, a questão não reside na produção, está mesmo no escoamento, um assunto muito rebatido pois tem condicionado a chegada dos produtos aos grandes centros de comercializações. Logo, o camponês vê o seu esforço pouco compensado e sendo assim os produtos feitos também à base de frutos acabam por não ser de acordo com a vontade do fabricante.
Aqui foi o sentimento manifestado por uma fabricante de gelados que apelou a mais produção no campo de citrinos e outras frutas. Mas a questão que se coloca é de saber se o que importa produzir abundantemente quando a colheta acaba por ficar nas mãos destes sem ter soluções para o colocar onde deve ser vendido?. Há interesse para “o feito em Angola” mas a matéria-prima é determinante”.