A rua do Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA), no município de Viana, próximo da sua residência, foi o local escolhido por Maria Quizomba para abrir o negócio na área da beleza e cosmética. Portadora de uma deficiência nos membros inferiores, Maria Quizomba sempre foi uma jovem criativa no que toca ao seu visual, o que lhe merecia reparos, com frequência, sempre que desse um toque especial no cabelo, com penteados com cabelo natural. A sua entrada para o mundo do empreendedorismo não foi um mar de rosas. Experimentoumuitas dificuldades no início. Teve de pedir emprestado 15 mil kwanzas para começar com um negócio. E a venda de salgadinhos e doces no bairro Grafranil, em Viana, foi a opção. O balão de ensaio. O início da aventura. Na altura, passou a fazer parte de um grupo no Facebook denominado “Angolanas naturais” o que lhe deu mais subsídios para a sua criatividade. Passou a fazer vários penteados no seu próprio cabelo e as pessoas começaram a ver que tinha algum jeito para tal. Daí os pedidos começaram a aparecer. Recorda que depois de alguns dias começaram a aparecer os primeiros clientes. Empregava todo seu conhecimento nos penteados como se fosse o último e, a partir daí, começou a sua odisseia. As redes sociais foram o grande veículo para publicitar os seus trabalhos. Publicava todos os trabalhos no grupo “Angolanas naturais” composto por várias pessoas de diferentes vontades e gostos. A projecção foi um facto. Os clientes abraçaramo desafio. E o mercado abriu as portas. Veio o reconhecimento. A informação começou a ser passada com mais velocidade. Os convites rapidamente apareceram. para televisão, rádios e não só. Tudo para falar sobre a magia , o trato que dá ao cabelos naturais. O salão começou a ganhar nome. A procura foi crescendo, crescendo... Logo, havia necessidade de contrar mais pessoas para ajudar no atendimento aos clientes. A responsabilidade passou a ser maior. A vontade de vencer superou todas as barreiras e obstáculos. “Cantinho natural” é a designação do salão. Conformeo nome, só trabalha cabelos naturais a base de produtos naturais também. É assim que se programou e é o que se faz. “O negócio cresceu e hoje “, diz triufante. Evoluíu de tratamento de cabelo natural crespo, para tratamento de doenças capilares como a caspa e infecções. queda de cabelo, coceiras, cabelos opacos, ressecamento, coloração, tinha, falta de crescimento entre outros”, diz com orgulho Maria Quizomba.

O valor da amizade

Primeiro sem cobrar nada às amigas. Mas, pouco depois foram as mesmas amigas que lhe aconselharam a cobrar os serviços visto que era raro o trabalho que fazia em cabelos naturais crespos. Para melhorar os vários estilos de trança passou a pesquisar mais sobre os cuidados e tratamentos a ter com cabelos crespos e com o aumento das solicitações surgiu a ideia da abertura de um salão de cabeleireiro. “Na verdade, nunca pensei em abrir um salão de cabeleireiro, porque o desejo da minha mãe era que fosse economista. Pensava em homenagear a sua memória. Mas a paixão pelo tratamento de cabelos falou mais alto. Decidi abrir um salão”, ficou decidido. Maria Quizomba para mais investimento e porque a tendência era o cresciomento, recorreu a um empréstimo de um amigo no valor de 50 mil kwanzas. Com o dinheiro, assegurou que apostou em uma clínica capilar. Começou a trabalhar sozinha no início, num espaço pequeno e sem muitas condições. Com o tempo aprimorou as suas técnicas sobre tratamento em cabelos crespos, saúde capilar, entre outras.  A jovem empreendedora disse que o seu foco sempre esteve voltado em trabalhar com cabelos naturais crespos. Refere que sempre foi muito curiosa “e quando me proponho em fazer algo, tenho de fazê-lo bem, então não limito esforço em aprender, e a internet tem sido uma escola para mim”, disse. Lembra que a inauguração formal da clínica capilar “Cantinho natural” foi no dia 9 de Agosto de 2014. Mas naquele dia nada correu como o planeado porque não apareceu ninguém. “Mesmo depois de fazer muita publicidade pelas redes sociais e com muitas pessoas que já conheciam o meu trabalho ninguém apareceu. Foi um grande desgosto e pensei em desistir”, disse.

Saúde capilar

O uso excessivo de produtos químicos ao longo dos tempos, diz-se Maria Quizomba, e em muitos casos, resultou em caspas em muitas cabeças e até queda de cabelo, Contou que há casos de clientes que ao pegar no couro cabeludo o fio de cabelo saí, devido ao uso inapropriado de produtos químicos indevidos ao cabelo natural crespo. Por isso, afirma que o tratamento capilar no seu salão deve ter uma duração de até seis meses, dependendo da gravidade do estado do cabelo. Sendo que os preços variam de 20 a 40 mil kwanzas mensal, mas além disso também faz penteados,  hidratação capilar e cortes. “A maior parte das clientes aparece com irritação no couro cabeludo, por uso de produtos químicos indevidos e até muitas com quedas severas de cabelo”, disse.  A jovem empreendedora garantiu que o cabelo crespo é lindo e as mulheres africanas devem orgulhar-se em usá-lo natural como no passado acontecia com outras gerações. Só há receitas com o trabalho. É o que se passa com Quizomba. Os rendimentos rondam mensalmente mais de um milhão de Kwanzas.E assim vai a vida.

Das
próprias mãos

O acompanhamento de tratamento capilar deve ser com base em produtos tipicamente naturais. Para isso, passou a produzir os próprios produtos. Numa primeira fase, disse Maria Quizomba, foi para atender a clínica capilar, posteriormente pensou em criar a sua própria marca de produtos capilares e assim “surgiu a linha de produtos Capillum”. Passou a dedicar-se no fabrico de champô, condicionador, creme hidratante natural a base de ervas, plantas, frutos, óleo natural que seriam produzidos em um laboratório artesanal. Para isso, fez alguns cursos on-line sobre terapia capilar, laboratorial, aroma terapia e cosmetologia natural. Afirmou que a matéria-prima é provenientes do Brasil. Reconhece que cá temos várias ervas, mas são difíceis de encontrar. Quando aparecem são caras! Por esta razão, o tratamento natural crespo acaba por ser mais caro do que cabelo natural liso”. Toda linha de produção do laboratório Capillum é empacotada em frascos de plástico provenientes do lusófono sul-americano.
“Em Angola não encontrei um fornecedor. Tive de procurar um externo e com as dificuldades cambiais que o país enfrenta, é muito difícil manter o stock”, disse.

Negócio das franquias
O negócio de franquias é apontado como o próximo passo da empreendedora para aumentar a sua presença no mercado, uma vez existir várias solicitações de diversos salões de beleza. “Neste momento, estou a pensar em partir para o negócio de franquias. Já temos algumas solicitações e tudo está pronto para encontrarmos os nossos produtos, não só, na clínica capilar, mas em outras lojas. Realmente quando se vai a luta, chegasse aos resultados.