A recuperação dos preços do petróleo afigura-se lenta, de acordo com a mais recente projecção da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) divulgada na sua página de internet.
De acordo com o relatório anual da Opep, o “Cenário Mundial do Petróleo”, a oferta e a procura não têm reagido com a força das anteriores previsões.
Nesse sentido, o relatório afirma que os preços subirão, no médio prazo, cinco dólares por barril, devendo atingir os 60 em termos nominais no ano de 2020. Esta cifra está 20 dólares abaixo dos 80 por barril que haviam sido previstos em 2015 para o mesmo período.
“Esses preços baixos não impulsionaram o consumo como a Opep esperava”, afirma o relatório, sendo que o Cartel culpa a crise financeira e os impostos elevados pela menor procura.
A previsão é de que a procura global aumente em um milhão de barris/dia a mais do que o previsto no ano passado, para 99,2 milhões de barris diários em 2021, de acordo com a Opep.
Sobre os preços baixos, a Organização diz que estes também provocarão queda na produção dos concorrentes, facto que há de permitir à Opep ganhar mais mercado.
Neste momento, avança, a fatia da Opep na oferta global deve crescer dos actuais 34 para 37 por cento em 2040.

Cenário de desafios
O crescimento global da oferta foi inferior à substancial subida vista no ano passado, isto socorrendo a dados comparativos da produção mundial entre Janeiro e Setembro deste ano.
Na visão da Opep, a oferta cresceu apenas 0,3 por cento em milhões de barris por dia (mbd), muito abaixo do aumento de quase 3,0 mbd no mesmo período do ano passado.
A Organização adianta, por outro lado, que o recente aumento dos preços do petróleo, em relação aos baixos níveis observados no início deste ano, também pode ter sido pelo facto de a China aumentar as suas importações para aprovisionar melhor os seus estoques.

PREÇO DO BARRIL DO BRENT
RETOMA OS NÍVEIS DE SUBIDA
APÓS DIAS SEGUIDOS DE QUEDA

O preço do barril de petróleo brent, referência às exportações angolanas, está a subir, comparativamente às descidas acentuadas da semana anterior causadas, sobretudo, pelos resultados das eleições norteamericanas de 8 de Novembro.
Depois de 43,11 dólares no início da semana, na terça-feira (15), o barril posicionou-se nos 44,74 dólares.

INÍCIO
Os meses de Setembro e Outubro mantiveram acesas as expectativas com que se iniciou o Novembro, excepção feita na última semana de Outubro, quando o preço do barril do brent baixou para os 47 dólares, isto na sexta-feira (29), mas a recuperação na segunda-feira (31) fixou-o em 48,61 dólares.
Já em pleno Novembro, na terça-feira (1 de Novembro), os preços iniciaram uma escalada em alta ao posicionarem-se nos 48,83, deixando boas perspectivas para o mês todo.
A subida em 24 horas foi de 1,41 por cento, facto que deixou com expectativas positivas os negociadores de commodities.
Mas foram todos apanhados de surpresa, pois Donald Trump, o improvável candidato e temido pelos mercados, ganhou a eleição à Casa Branca. As consequências foram imediatas. Os mercados reagiram negativamente e arrastaram todos os preços para baixo. O brent chegou mesmo a sair da casa dos 40, minímos não mais vistos nos últimos três meses, quase. Depois disso, a recuperação lenta está a ser acompanhada com pessimismos, pois a expectativa de a Opep reduzir os níveis de produção pode agora ser reavaliado em função dos temores que persistem.
Especialistas ouvidos pela Associated Press e outros citados pela Bloomberg estimam mesmo que a retoma dos preços permanece intermitente.
Um barril de petróleo corresponde a aproximadamente 159 litros e a sua cotação internacional ocorre num período de 24 horas. São duas as principais praças, designadamente Nova Iorque cok o WTI e Londres onde transacciona-se o brent
Isaque Lourenço