A organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), através do seu secretário-geral, o nigeriano Mohammad Sanusi Barkindo, aplaudiu as reformas que estão a ser feitas por Angola no seu sector de hidrocarbonetos.
Na sua primeira visita a Luanda, Mohammad Barkindo disse serem estas as “reformas certas no momento certo” e valorizou a coragem da liderança política do Presidente João Lourenço, a quem incentivou a continuar, além de garantir a plena cooperação da Opep nas estratégias que estão a ser adoptadas no sector em particular visando a atracção de mais investimentos estrangeiros.
“A liderança de Angola está a implementar mudanças fiscais e políticas cruciais para diversificar a economia, ao mesmo tempo que abre o Sector Petrolífero para novos investimentos”, disse.
Na palestra que realizou, durante a sua passagem de três dias a Luanda, Barkindo disse que “Angola implementa uma série de reformas regulatórias corajosas destinadas a atrair novos investimentos e diversificar a economia dependente do petróleo, incluindo a reforma tributária, a criação da nova Agência Nacional de Petróleo para administrar concessões de petróleo e gás, colocando um novo foco no investimento posterior, a criação de um novo instituto para a regulação de derivados de petróleo e gás e implementando novas políticas para incentivar a utilização e monetização de gás”.
Mohammad Barkindo lembrou o papel de Angola como um dos 25 países que agora participa da Declaração de Cooperação entre membros da Opep e não-membros da Opep, para reduzir a produção de petróleo e manter a estabilidade do preço do petróleo, acrescentando que “essa estabilidade é boa tanto para produtores quanto para consumidores.”
As perspectivas de investimento de Angola melhoraram com o preço do petróleo em 2018, com novos projectos que surgiram e muitos dos quais avançaram para a fase dos investimentos, tais como foram os casos do Zinia, um projecto em águas profundas sob jurisdição da petrolífera Total. Entre os projectos em curso na indústria petrolífera angolana e que merecem a validação dos parceiros nacionais e internacionais realce para a que visa garantir a auto-suficiência no suprimento de petróleo, por via da criação de novas refinarias e
recuperação das já existentes.
A produção actual angolana de petróleo é de 1,49 milhões de barris/dia.


Parceiros identificam negócios

A reestruturação do negócio do petróleo em Angola vai permitir a entrada de mais investidores e a participação dos parceiros privados nos desafios do sector.
A constatação é do ministro Diamantino Azevedo. De acordo com o ministro, o plano de implementação da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG) e transferência da função concessionária nacional foi desenhado de modo a não causar perturbação no trabalho da concessionária nacional e será efectivado em três fases, nomeadamente, preparação da transição, transição e optimização e conclusão.
De acordo com o titular dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, que falou na abertura da palestra realizada no quadro da visita do secretário-geral da Opep a Angola, está em curso a nível da Sonangol E.P o programa de reestruturação da empresa, aprovado pelo Executivo, também denominado “Programa de Regeneração da Sonangol”.
O governante disse que o objectivo é o de focalizar a empresa no seu negócio principal, em torno da cadeia de valor do petróleo bruto e do gás natural e torná-la mais ágil para enfrentar os desafios com que se depara.
Diamantino Azevedo explicou ainda que vale considerar o facto de Angola importar cerca de 80 por cento dos derivados de petróleo que consome por falta interna de capacidade de refinação. Para o efeito, foi também aprovada pelo Governo uma estratégia nacional com o objectivo de garantir a auto-suficiência. Essa medida passará pela construção da refinaria do Lobito, da refinaria de Cabinda, e pela requalificação da refinaria de Luanda.
O Executivo pretende ainda aumentar a capacidade de armazenamento de combustíveis e lubrificantes, bem como aumentar a rede de postos de abastecimento em todo o país.